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Caio Blinder, de Nova York
NOVA YORK - Explosão nas ruas e implosão do sistema. As forças de segurança e vigilantes botam para quebrar nas manifestações iranianas. E dentro do aparato de poder, existe um racha. O espírito de resistência (e sacrifício) dos manifestantes na base será um fator decisivo na crise, assim como os cálculos dos atores políticos no topo da pirâmide sobre até que ponto estão dispostos a desafiar o aiatolá Ali Khamenei, para o qual é uma heresia cogitar que tenha ocorrido fraude na eleição de 12 de junho, favorecendo Mahmoud Ahmadinejad.
Em termos imediatos, o principal cálculo precisa ser feito pelo prejudicado nas eleições, o ex-primeiro-ministro Mir Hussein Moussavi. Ele é a figura mais próxima de líder da resistência e precisa decidir se radicaliza ou não o seu discurso e atuação. Assim como outros dois aliados vitais, os ex-presidentes Mohammad Khatami e Rafsanjani, o dilema é que no esforço de salvar o sistema de sua falta de legitimidade, Moussavi sabe que pode destruí-lo.
Atores bem mais leais ao sistema também precisam calcular até que ponto compensa endossar a farsa eleitoral. Neste sentido é sintomático que o influente presidente do Parlamento, Ali Larijani, que não integra as hostes reformistas ou mesmo de conservadores mais pragmáticos, também acena sobre a necessidade de uma completa recontagem dos votos (e não apenas de uma pequena parcela, o que serviria para endossar a farsa). No domingo, Larijani disse que a "maioria das pessoas é da opinião de que os verdadeiros resultados eleitorais são diferentes daqueles que foram anunciados". Larijani, que tem suas próprias aspirações presidenciais, joga com ambiguidade. Ele também investiu contra países europeus por sua "vergonhosa" intromissão em assuntos internos iranianos, questionando os resultados eleitorais.
Em meio ao aprofundamento da crise interna, era esperado que Ahmadinejad o aparato de propaganda oficial fossem à carga contra paises e jornalistas estrangeiros. O foco são os suspeitos habituais, embora as acusações mais estridentes de ingerência sejam feitas contra a Grã-Bretanha e não os EUA. Pobre e frágil governo britânico de Gordon Brown, tão ocupado em sobreviver no mar de conspirações dentro de Londres e precisa se defender das denúncias de estar tramando em Teerã.
E God Bless the BBC, cujo bravo correspondente na capital iraniana, Jon Leyne, foi botado para fora do país, acusado de fazer distorções na sua cobertura. Impecável é a imprensa estatal iraniana que rotula os manifestantes de terroristas. Quando vão chamar Moussavi de agente do Mossad?
É sempre importante manter o foco na eleição em si para desmascarar a farsa do regime. E mais um golpe foi desferido pela Chatham House (estes ingleses conspiratórios), o respeitadíssimo e não- governamental centro de estudos internacionais baseado em Londres. No domingo, publlicou uma análise dos resultados eleitorais, com base nas cifras oficiais (que deram 2/3 dos votos para Ahmadinejad). A análise mostra que o comparecimento às urnas passou de 100% em duas das 30 províncias. As alegações de que Ahmadinejad tenha dado uma lavada na área rural é incongruente com resultados anteriores. Em 1/3 das províncias, os resultados oficiais exigiram que Ahmadinejad recebesse não apenas todos os antigos votos conservadoreres e centristas e de novos votantes, mas 44% dos antigos votos reformistas. Na sua província de Lorestão, o segundo candidato reformista, Mehdi Karoubi, foi simplesmente arrasado (4.6% dos votos), embora tenha obtido 55.5% nas eleições de 2005.
Na conclusão da Chatham House, são resultados implausíveis. Seria até plausível que o aiatolá Khamenei e seu garotinho Ahmadinejad aceitassem o óbvio: se o presidente realmente conseguiu 2/3 dos votos, qual seria o problema com uma recontagem total ou uma nova votação?
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