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Caio Blinder, de Nova York
NOVA YORK- O jornal espanhol "El País" se tornou um referencial obrigatório para entender a trajetória das relações entre o Brasil e os EUA dias antes do primeiro encontro entre os presidentes Lula e Obama, em Washington. Esta semana o jornal ressalta que existe uma "fluidez no diálogo politico" entre os dois países.
Obviamente, a encrenca econômica global pode entupir as vias de comunicação, com as dificuldades para coordenar uma ação conjunta no mundo contra a crise que se agrava e os impulsos protecionistas florescendo em todas as partes. Este primeiro encontro bilateral entre Obama e Lula e dois seguintes em esferas multilaterais que deverao ocorrer em abril, a reunião do G-20 e a Cúpula das Áméricas, são testes cruciais para esta fluidez.
Como em outras situações geopolíticas e geoeconômicas, Obama coloca suas relações com o Brasil em um contexto multilateral. Ele não isola as questões. Tenta amarrá-las. Por exemplo, esta semana o "El Pais" revela que o Brasil e os EUA estariam mantendo contatos "informais" para fechar um acordo de aumento de exportação de petróleo e derivados brasileiros para os EUA. Com isto, os americanos diminuiriam sua dependência energética da Venezuela. Diplomaticamente, Brasília diz que tal lance não geraria atritos com Caracas.
Em termos geopolíticos, não é de hoje que os EUA consideram o Brasil (e o governo Lula, da "esquerda responsável"), como um contrapeso ao bloco esquerdista radical e antiamericano capitaneado por Chávez. O companheiro Bush já estabelecera um díálogo fluido com Lula. Mas com Obama existe mais urgência e mais empenho em uma postura multilateral.
Aqui vai outra informação do "El Pais". O governo Obama está preparando uma ambiciosa iniciativa para romper o status frígido das relações com Cuba e facilitar o diálogo com as autoridades comunistas. Em Washington, existe a avalliação (talvez um pouco otimista) de que as mudanças da semana passada no círculo de poder em Havana, decretada pelo presidente Raúl Castro tem, entre outros objetivos, remover entraves a um possível diálogo com o governo Obama com vistas à normalização de relações.
Há pressões na América Latina para que Obama rompa o isolamento americano de Cuba como prova de um novo modelo de convivência hemisférica. Na avaliação do "El Pais", o Brasil terá um papel vital na estratégia de Obama para enfrentar de forma coordenada os principais problemas latino-americanos, em particular nesta questão de normalização das relações entre Washington e Havana.
Claro que sempre tem um Chávez no meio do caminho. O presidente venezuelano ficaria muito isolado politicamente se Rául Castro começar a se entender com Obama. Não vamos nos precipitar, mas seria bom ver Chávez atropelado pelos acontecimentos, com uma pequena ajuda de Lula e do seu novo companheiro, Barack Obama.