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Democracia em Israel é imperfeita, mas é oásis em deserto ditatorial

13/02 - 02:03 - Caio Blinder, de Nova York

NOVA YORK- As eleições de Israel na terça-feira mostraram mais uma vez como a democracia é imperfeita no país, com seus partidos fisiológicos e políticos oportunistas que fariam o PMDB e similares nacionais corarem de vergonha. E ter alguém como Avigdor Lieberman, do partido de extrema-direita Israel Beiteinu, como o fiel da balança na briga pelo poder entre o centrista Kadima e o direitista Likud, é motivo para também ficar enrubescido.

 

O eleitorado deu uma guinada para a direita, mas não foi um deslocamento tão radical como se projetava. O Israel Beiteinu não aumentou tanto assim sua fatia de cadeiras no Parlamento (já o Likud mais do que dobrou) e o Kadima se deu melhor do que se esperava, em parte devido ao voto útil da esquerda. Agora é o bazar político em polvorosa. Tudo meio feio, mas muito mais bonito do que no resto do Oriente Médio, onde raríssimos países podem exibir o espetáculo democrático de Israel, por mais imperfeito que seja. Em raros países árabes, a população tem tantos direitos como os árabe-israelenses (de novo, com imperfeições).

Existe muita onda sobre o fato do Hamas ter vencido eleições em Gaza em 2006. Isto não significa que este movimento que mistura legítima mobilização popular e terrorismo tenha pendores democráticos. Quando o Hamas não está ocupado em resistir aos inimigos israelenses, desdobra-se para reprimir e esmagar os adversários internos no cenário palestino. Lembra muito o que milícias de esquerda faziam durante a Guerra Civil espanhola.

Como era de esperar, nas fileiras árabes (quase todas ditatoriais), o espetáculo democrático em Israel foi minimizado como uma farsa envolvendo um bando de terroristas. Ditaduras cruéis e dinásticas, como é o caso da Síria, denunciaram o extremismo e a mesmice das escolhas eleitorais em Israel. O que entendem de eleições democráticas? Em entrevista ao jornal palestino Al-Quds, um porta-voz do Hamas, Fawzi Barhoum, disse que em eleições, em que o Kadima, Likiud e Israel Beiteinu foram os três primeiros colocados, "produziu três cabeças do terrorismo israelense". Opinião de terrorista.

O mundo real é mais complexo e tal tipo de postura é equivalente ao argumento de que nas eleições de junho próximo no Irã não existirão diferenças entre o presidente Mahmoud Ahmadinejad e o desafiante e ex-presidente Mohammed Khatami, visto como mais reformista e mais aberto ao diálogo com o Ocidente.

E podemos lembrar o argumento bobo de antiamericanos (e de Ralph Nader) na eleição do ano 2000: Os EUA são uma pseudodemocracia com pseudopartidos. Nenhuma diferença entre o democrata Al Gore e o republicano George W. Bush.

Na imprensa árabe e iraniana, é comum se referir a Israel apenas como uma "entidade sionista". Já seria demais reconhecer que o país é uma democracia, ainda que imperfeita. O primeiro passo seria reconhecer a mera existência do Estado de Israel.

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