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07:41
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Caio Blinder, de Nova York
NOVA YORK- No Fórum Econômico Mundial, em Davos, o primeiro-ministro russo Vladimir Putin, o homem-forte de um país mais fraco, desferiu os ataques esperados e merecidos contra a fina flor do capitalismo global responsável pelo tormenta econômica. Mas Putin também posou de estadista, dizendo que nesta "tempestade perfeita" todos estão no mesmo barco e que precisamos navegar juntos para encontrar um porto seguro. É mais desolação do que repetina sabedoria.
Na parte do barco reservada aos russos as coisas não estão bem. Os oligarcas bilionários, donos de iates, estão perdendo bilhões para a tristeza das butiques de Londres e Nova York. Eles sempre forneceram um belo estímulo para o consumo extravagante. Para os russos que não são donos de iates as coisas estão prosaicamente piores. E até pipocam os protestos de rua no país da semiditadura gerenciada por Putin, o ex-presidente que armou sua sucessão para o afilhado Dmitry Medvedev e que por uns tempos decidiu atracar no cargo de primeiro-ministro.
Dos protestos participam os bravos e quixotescos militantes dos direitos humanos, mas a corrente agora conta também com gente desiludida com os rumos da economia, inclusive comunistas. Como Hugo Chávez, na Venezuela, Putin é muito dependente da exportações de commodities, que já foram mais valiosas. Basta dizer que o orçamento nacional de 2009 foi projetado com um barril de petróleo a 95 dólares (ele já chegou a 150 e está abaixo de 50).
No boom do petróleo, a Rússia acumulou a terceira maior reserva de dólares no mundo, mas nos últimos seis meses torrou mais de US$ 200 bilhões para defender o o rublo, que já perdeu 30% do seu valor neste período. O desemprego disparou em 2008, o que ajuda a explicar os protestos até em Vladivostok, na Sibéria, a uma distância de sete fusos horários de Moscou. Não se pode superdimensionar a onda de manifestações e o regime Putin usará mão de ferro se as coisas começarem a fugir do controle. E, de fato, não existe uma estrutura de oposição capaz de oferecer um sério desafio à ordem vigente.
Na Rússia, porém, é sempre importante examinar as inquietações intramuros. Os oligarcas aceitaram a transação do "consenso Putin". Em troca de prosperidade econômica, nada de agitação política. Quem não topou o esquema, foi para o exílio ou para a cadeia. Após crescer a uma taxa de pelo menos 5% nos últimos anos, a Rüssia pode sofrer uma contração econômica de 3 a 4% em 2009. Com isto, podem surgir rachaduras políticas neste consenso, Mesmo o afilhado Medvedev dá sinais de independência, criticando a ineficácia das medidas de combate à crise econômica. O presidente não cita o nome de Putin, mas a economia é feudo do primeiro-ministro.
Putin promete ser um firme timoneiro nesta "tempestade perfeita" da economia mundial. O problema é que desde seus primeiros dias no poder, no ano 2000, ele decidiu usar as exportaçõs de recursos naturais, energia em particular, como o instrumento não apenas de renascimento econômico, mas do ressurgimento da grandeza perdida da Rússia depois do colapso soviético. Será bem mais díficil com todos no mesmo barco global submergindo.
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