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Um próspero ano novo em erros nas previsões

19/12 - 06:16 - Caio Blinder, de Nova York

NOVA YORK- Fazer retrospectiva é lembrar as previsões erradas ou as omissões sobre o ano que termina. Há 23 anos, a melhor revista do mundo, "The Economist", faz previsões ousadas sobre o que nos espera no ano novo. Na edição de previsões sobre 2009, a nota do editor diz que "sobre 2008, desculpas". Entre outros vexames, "The Economist" não previu que a crise financeira iria desabar sobre todos nós. Com transparência, a revista reconhece que não projetou também o desabamento dos preços do petróleo e esperava que Hillary Clinton estaria preparando o discurso para a posse em 20 de janeiro.

A publicação "Foreign Policy" é mais maldosa. Prefere compilar as previsões furadas dos outros. O pernóstico colunista conservador WIlliam Kristol garantiu que "Barack Obama não ganharia sequer uma eleição primária de HIllary Clinton" e o espalhafatoso comentarista econômico James Cramer recomendou que ninguém tirasse dinheiro do banco Bear Stearns seis dias antes do seu colapso. "Seria uma tolice", trovejou Cramer na televisao.

Um oráculo do mercado petrolífero, Arjun Murty, também jorrou bobagens. Em maio, ele profetizou que a "possiblidade de que o preço do barril de petróleo alcance entre 150 e 200 dólares nos próximos 6 a 24 meses parece cada vez mais provável". Agora o preço está rondando os 40 dólares. Nunca sabe o que vai acontecer nos próximos 17 meses. Murty ainda tem chance de acertar.

Bem, chega de falar dos erros dos outros. Meu maior vexame foi em 1990 quando na "Folha de S. Paulo" garanti que Saddam Hussein não invadiria o Kuwait. O jornal nas bancas e os tanques iraquianos cruzando a fronteira. William Waack, que na época era editor de Internacional do "Estadão", brinca comigo até hoje e me coloca no meu devido lugar.

Agora em 2008, tampouco previ que a casa econômica mundial iria desabar. Minha glória foi acertar com antecedência que Barack Obama iria derrotar John McCain por uma margem de seis pontos na eleição presidencial. Na mosca. Enquanto escrevo este texto, Lucas Mendes, o chefe do Manhattan Connection, o programa do GNT do qual participo, também me coloca no devido lugar, enumerando todos os foras nas minhas previsões eleitorais anteriores.

Estou saindo de férias e retorno só em janeiro. Até lá, com certeza, nenhum erro. E com acerto total, posso garantir que eu, "The Economist", William Kristol e James Cramer vamos errar nas análises neste turbulento ano que está para chegar. Não tenho como prever um bom ano, mas posso desejar um ótimo 2009 para todos.





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