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O plano de vôo da águia Obama

01/12 - 22:11 - Caio Blinder, de Nova York

NOVA YORK - Ame, odeie ou continue confuso sobre Barack Obama, mas reconheça a destreza do presidente-eleito dos EUA. Setores de esquerda estão desiludidos com as escolhas de Obama em segurança nacional, que foram formalizadas na segunda-feira. O que eles queriam? A indicação de algum discípulo de Gandhi ou Martin Luther King para secretário de Defesa? Obama manteve Robert Gates à frente do Pentágono, trouxe a ferrenha Hillary Clinton para comandar a diplomacia (secretária de Estado) e recrutou o velho guerreiro James Jones (ex-comandante dos Marines) para ser o assessor de segurança nacional.

 

Antes de tudo, Obama nunca foi pombinha. Um dos seus slogans de campanha era: "Não sou contra todas as guerras. Sou contra guerras estúpidas". O mesmo pode ser dito sobre o general Jones e Robert Gates. Jones disse que a guerra no Iraque foi um desastre, enquanto Gates advertiu que um ataque militar contra o Irã será uma "calamidade estratégica". Ninguém da troika de segurança nacional de Obama é uma pombinha, mas tampouco mais falcão do que o presidente-eleito. O que conta aqui é o simbolismo.

Gates é republicano, Jones era próximo de John McCain, o derrotado por Obama nas eleições, e Hillary Clinton é uma favorita do lobby judaico. Com esta turma, o presidente-eleito cobre os flancos à direita. Não é questão de dizer dane-se para a esquerda, mas de pedir que ela seja realista. Está aí um governo capaz de ver as coisas com sutilezas, sem o maniqueísmo que marcou grande parte da melancólica administração Bush. Obama quer restaurar a credibilidade internacional dos EUA, descartando o que o próprio Robert Gates denunciou como "militarização" da política externa do país. Ser linha-dura ou conservador obviamente não significa ser burro. Ser pragmático, então, nem se fala. Obama, Clinton, Gates e Jones consideram a prisão de Guantánamo uma vergonha, uma mancha histórica na imagem americana. Deve ser fechada.

Interesse nacional é movido por hard power e soft power. Se for preciso ir à guerra novamente, isto será feito por Obama. Lembre-se que ele não é um pacifista, mas agora tem cobertura para empreender uma diplomacia intensiva, mesmo com os iranianos, para que o regime xiita abandone seu programa nuclear. Caso tome um caminho diplomático para lidar com os inimigos dos EUA, Obama precisa neutralizar a direita dentro de casa. Nesta missão, ele tem uma tropa de choque perfilada dentro do seu ministério.

Um esclarecimento na abordagem de Obama em política externa. Nem continuísmo da era Bush nem mudança retumbante apregoada na campanha eleitoral. Obama se distancia do vexame unilateralista do governo prestes a se aposentar e, com bom senso multilateralista, retorna ao tradicional centrismo da política externa americana pós-Segunda Guerra Mundial.

Barack Hussein Obama mostra ser uma águia no seu plano de vôo pragmático em política externa.

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