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Mumbai é encruzilhada para Índia e Paquistão

01/12 - 10:41 - Caio Blinder, de Nova York

NOVA YORK - O que aconteceu em Mumbai foi terrível, mas pelo menos por enquanto Índia e Paquistão estão conseguindo evitar que as coisas piorem ainda mais. Há uma escalada de tensões depois dos atentados terroristas. Mesmo assim, os dois países se empenham para não abrir espaço para um confronto militar. As indicações são de um envolvimento de grupos extremistas islâmicos baseados no Paquistão com os terroristas responsáveis pela carnificina que persistiu até sabado.

 

Isto não é o mesmo que vincular o precário governo civil paquistanês com estes grupos originados da Cachemira, a região nos Himalaias contestada pelos dois países, sobre a qual já foram travadas duas guerras. No domingo, o presidente do Paquistão, Asif Ali Zardari, fez um apelo para que a Ïndia não puna seu país pelos atentados em Mumbai e advertiu que represálias serão desastrosas para a guerra travada contra o extremismo islâmico.

Há, é verdade, um histórico de ataques contra a Índia empreendidos por grupos como Lashkar-e-Taiba, que receberam treinamento e apoio dos serviços de inteligência do Paquistão. Estes laços já foram reduzidos, mas o próprio controle exercido pelas autoridades civis sobre estes serviços de inteligência e as Forças Armadas é duvidoso. O problema não é tanto, nestes termos, duvidar das garantias do governo paquistanês de que não está envolvido nestes atos de terroristas, mas o que ele pode fazer para impedi-los ou investigar o papel de grupos paquistaneses nos atentados.

Os grupos militantes no Paquistão transferiram muitas de suas atividades da Cachemira para áreas tribais, onde operam o Talibã e a rede Al Qaeda e conseguiram florescer graças ao apoio de partidos islamistas. Estes grupos têm a ambição desmedida de uma hegemonia islâmica no subcontinente indiano. Em termos mais realistas, fazem o que podem para impedir qualquer reconciliação entre Índia e Paquistão.

O governo do presidente Zardari (viúvo da ex-primeira-ministra Benazir Bhutto, vítima do terrorismo islâmico no final do ano passado) se mostra muito mais inclinado a evitar um confronto militar do que o antecessor Pervez Musharraf.  Em 2002, os dois países dotados de armas nucleares mobilizaram tropas na fronteira depois de um ataque terrorista contra o Parlamento em Nova Déli e no ar havia a ameaça de guerra. Agora, as autoridades paquistanesas definem as ações terroristas em Mumbai como uma cópia do que aconteceu em setembro em Islamabad, com o atentado que destruiu o hotel Marriot. O que precisa acabar no Paquistão é a distinção entre maus e bons militantes islâmicos. Os primeiros matam paquistaneses e os últimos aterrorizam na Índia.

Do lado indiano, existe, até agora, menos inclinação belicista. A guerra suprema é na economia. O país tem sua ambições emergentes e os ataques em Mumbai, seu pujante centro financeiro, mostram uma nova escalada terrorista com potencial de desestabilizar a vida econômica e política.Terrível se o jihadismo se alastrar pelo país e há sempre o risco de uma onda de represálias da maioria hindu contra a minoria muçulmana.

Recentemente, de fato, houve uma melhoria nas relações entre os dois inimigos históricos. O governo do presidente-eleito dos EUA, Barack Obama, deve preservar a prioridade da adminstração Bush para que os países do subcontinente indiano se concentrem na luta contra o terrorismo da rede Al Qaeda e o ressurgimento do Talibã e não nas suas rivalidades. O foco vale em particular, é claro, para o Paquistão.

A questão é o que fará o frágil governo Zardari se a Índia exigir uma ação contundente contra os militantes islâmicos. As pressões contra o Paquistão podem crescer em um lance do governo do primeiro-ministro Manmohan Singh para abafar a crescente indignação pelas falhas dos seus serviços de segurança para prevenir ou agir com mais rapidez para terminar a tragédia em Mumbai.

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