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Rússia será desafio complexo para Obama

28/11 - 08:09 - Caio Blinder, de Nova York

NOVA YORK- O presidente russo Dmitri Medvedev apareceu na América Latina e inclusive fez escala no Brasil. Mas em termos geopolíticos os russos "não estão chegando", apesar de gestos espalhafatosos como as manobras navais com a Venezuela com a participação do cruzador de propulsão nuclear "Pedro, o Grande". Há, é verdade, empenho para mostrar que os russos podem ter uma presença na tradicional área de influência americana.

Portanto, mais ao norte, as manias de grandeza da Rússia devem ser levadas a sério e podem ser um teste para o noviço governo de Barack Obama. Existem desafios evidentes no Oriente Médio e no Afeganistão/Paquistão, mas, de certa maneira, em uma primeira fase teremos uma continuidade em Washington, com Obama sinalizando que seguirá a politica mais realista que marca este final melancólico do governo Bush. O presidente-eleito manterá Robert Gates como secretário de Defesa para coordenar a retirada gradual das tropas americanas do Iraque e a escalada da presença no Afeganistão.

Novos desafios podem acontecer na frente russa. Medvedev inclusive se antecipou para "testar" Obama e comemorou a vitória do novo presidente advertindo que irá responder ao plano do governo Bush de instalação de defesa antimísseis na Polônia e República Tcheca deslocando mísseis nucleares para o enclave de Kaliningrado. O dilema para Obama é que abandonar o plano de Bush, sobre o qual ele não expressou entusiasmo, pode parecer uma concessão a Moscou.


Medvedev: desafio para Obama / Arquivo

Mas devem ocorrer algumas mudanças dramáticas em relação ao governo Bush que se mostrou cético sobre tratados de controle de armas e deu uma guinada no tratamento da Rússia de aliado-chave na guerra contra o terror a inimigo hostil que ameaça e reprime seus antigos satélites, como no caso da Geórgia.         

A idéia de Obama é ter uma política mais sutil para lidar com a Rússia. De um lado, o plano é trabalhar com Moscou em crises como o programa nuclear do Irã e controle de armas, além de ter mais afinação com os países europeus que possuem uma relação melhor com os russos. De outro, os sinais são de que Obama não irá recuar das posições americanas que mais irritam Moscou, como a expansão da Otan.

Os russos também deram alguns sinais de mais sutileza. Depois da gafe de tratar a vitória de Obama sem elegância protocolar, Medvedev e o primeiro-ministro Vladimir Putin (o homem-forte do país) acenam com uma relação mais construtiva e margem para negociar no impasse do sistema de defesa antimísseis.

Mas será um erro para os russos tentarem tirar proveito de uma transição de poder em Washington e da suposta inexperiência de Obama. O novo governo em Washington poderá tratar a Rússia como um complexo desafio estratégico de primeira ordem, mas não aceitará que Moscou se comporte como se fosse maior do que é.

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