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Obama antecipa seus primeiros cem dias

24/11 - 08:26 - Caio Blinder, de Nova York

NOVA YORK- Como disse o Prêmio Nobel da Economia, Paul Krugman, a crise econômica caminha com mais rapidez do que a transição para o poder de George W. Bush para Barack Obama. Há uma urgência cada vez maior para que o presidente-eleito mostre nâo apenas que irá adotar as medidas necessárias, mas que já está no comando da situação. Não se trata apenas de sinalizar que terá condições de governar, mas de acalmar aqui e agora os mercados, em particular, e a sociedade, em geral.

Acabou a deferência de dizer que os EUA têm uma presidente de cada vez. Não têm nenhum. Não pode haver um vácuo de liderança. Chega de semi-reclusão do presidente-eleito. Basta de suspense sobre o ministério. Nesta segunda-feira, em Chicago, uma espécie de segunda capital americana, Obama deverá apresentar ao país e ao mundo sua equipe econômica, integrada por Tim Geithner, secretário do Tesouro, e Larry Summers, que será seu principal assessor econômico.

Outros cargos essenciais também foram antecipados (como Hillary Clinton na secretaria de Estado) e medidas de combate à crise econômica se tornaram ainda mais ambiciosas, como o pacote de estímulos parar gerar 2.5 milhões de empregos em dois anos. Existem os acenos de que gastos e cortes de impostos serão bem acima da conta projetada durante a campanha eleitoral.

Como enfatizou Obama, no sábado, o "pacote é uma entrada do tipo de reforma que meu governo trará para Washington". E, de fato, como esperar quando ícones do poderio econômico americano (General Motors e Citigroup) estão em processo de desmanche?

A menos de dois meses de tomar posse, Obama precisa fazer mais do que sinalizar o caminho. Ele precisa alterar a rota perigosa, rumo ao abismo, antes de assumir a Casa Branca.

São cada vez mais mencionados os paralelos entre a deterioração econômica e o poder acéfalo nos dias de hoje e 1932, quando aconteceu a transição entre Herbert Hoover e Franklin Roosevelt. Há, porém, algumas diferenças. Há 76 anos a crise era mais grave e a transição entre a eleição e a posse mais longa (quatro meses).

Ademais, Roosevelt simplesmente se recusou a cooperar com Hoover e não detalhou medidas de emergência. Roosevelt usou de forma lendária seus primeiros cem dias de governo para adotar as medidas e injetar confiança em um país alquebrado.

Obama parece ter aprendido algumas lições históricas. Curiosamente, a frase mais conhecida do discurso de posse de Roosevelt foi "a única coisa que devemos temer é o próprio medo", mas muito mais importante foi a advertência de que o "momento "'é de ação, de ação agora". Os cem primeiros dias Barack Obama já estão em curso.

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