20/11 - 09:02 - Caio Blinder, de Nova York
NOVA YORK- Na campanha eleitoral, Barack Obama sempre esteve acompanhado da imagem de noviço. Que petulância do rapaz buscar a presidência, roubando o prêmio de veteranos operadores politicos como Hillary Clinton e John McCain. A inexperiência de Obama, aliás, foi pedra de toque de ataques da rival democrata nas primárias e do senador republicano nas eleições gerais. Venceu o slogan de "mudança" de Obama, que, por sinal, também foi apropriado pelos oponentes.
No troca-troca, agora é a vez de Obama desfraldar a bandeira da experiência e, nos passos iniciais, parece que vai entupir o seu governo de veteranos clintonistas. A expectativa suprema é se a própria ex-primeira-dama será aliciada para o posto de secretária de Estado. Assessores do presidente-eleito apresentam o argumento maroto de que a palavra-de-ordem é "mudança com experiência", o que de certa forma monta o cenário de que Obama, antes de tudo, é um pragmático, que busca basicamente resultados. Os menos caridosos podem dizer que o presidente-eleito não passa de um típico político oportunista, capaz de fazer pacto com qualquer diabo (ou diaba).
O contra-argumento é que Obama está rompendo o padrão, que marcou de forma vexaminosa o governo Bush. Lealdade pessoal sempre contou mais para o presidente de plantão do que competência. Entre as honrosas exceções está o atual secretário de Defesa, Robert Gates, alvo de elogios bipartidários e que inclusive poderá ser mantido no cargo por Obama em uma fase inicial. Lances como manter Gates se inserem em uma narrativa mais nobre sobre o modo de agir do presidente-eleito, que se inspiraria na noção de um "time de rivais", que caracterizou o governo histórico de Abraham Lincoln, no século 19.
De qualquer forma, incomoda um pouco o espírito camaleônico de Barack Obama. Um dos atrativos de sua aparição no cenário nacional era justamente injetar sangue novo na política presidencial, impedindo um rodízio no poder das dinastias Bush e Clinton. Agora é este quadro do seu governo sendo colonizado por clintonistas.
O consolo é que, por ser o retrato da diversidade, Obama não está amarrado ao projeto politicamente correto que marcou a fase inicial do governo de Bill Clinton de pintar o quadro ministerial com colorações variadas. Obama é uma mudança histórica, mesmo quando não muda muito.
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