11/11 - 05:56 - Caio Blinder, de Nova York
NOVA YORK- A histórica vitória eleitoral de Barack Obama está completando uma semana nesta terça-feira. Analistas continuam dissecando os resultados para detectar tendências e o alcance do triunfo de Obama. Os conservadores, com exceção da banda mais furiosa e intolerante, são civilizados e saúdam a mudança histórica com o primeiro negro que irá governar o país, mas seguem fazendo política e minimizam o impacto da vitória.
Um bom exemplo é o neoconservador William Kristol, Sua linha de ataque intelectual é a seguinte: houve um realinhamento partidário, mas não ideológico no país. Ademais, em grande parte, o desfecho da terça-feira passada foi um repúdio ao governo desacreditado de George W. Bush. Em movimentos cíclicos, o partido de plantão na Casa Branca foi punido. Na conclusão de Kristol, 2008 foi um bom ano para os democratas, mas os EUA ainda são um país de centro-direita.
Alguns dados (apenas alguns) dão razão para Kristol. Nesta eleição, 22% dos eleitores se identificaram como liberais, 34% como conservadores e 44% como moderados. Não há praticamente diferenças nestas identificações ideológicas em relação a 2004.
Dados eleitorais, a bem da verdade, advertem os democratas para não tratarem a vitória de Obama com triunfalismo e, de fato, não existe este sentimento. Basta pegar o Estado de Ohio, no qual John Kerry foi derrotado por George W. Bush em 2004. O democrata teve em Ohio 2.74 miilhões de votos. Este é quase o total recebido por Obama em 2008.
A vitória aconteceu agora porque John McCain recebeu 300 mil votos a menos do que Bush em Ohio. Existe agora menos fervor republicano. Há um processo de desmobilização partidária, o que se agravou pois McCain se concentrou em garantir a base partidária nesta eleição, sem fazer os avanços necessários junto aos eleitores independentes ou moderados.
A derrota pode revigorar os republicanos e obviamente a vitória eleitoral dos democratas pode ser revertida. Muito, é claro, dependerá do desempenho de Obama e do Congresso com maioria democrata ampliada. Em 1992, Bill Clinton liderou a revitalização democrata. Suas desventuras nos dois primeiros anos de Casa Branca abriram caminho para uma revolução conservadora no Congresso em 1994.
Advertências estão feitas, mas chega de minimizar o alcance da vitória de Barack Obama. Caso ele não decepcione, os resultados eleitorais da terça-feira passada podem conferir uma hegemonia democrata por uma geração nos EUA. O país não é mais de centro-direita. Pelo menos hoje é de centro-esquerda. A demografia e o mosaico populacional no país estão do lado de Obama. Ele derrotou McCain tanto entre os jovens com menos de 30 anos como entre os hispânicos por uma margem de 2 a 1. Houve avanços de Obama até entre os evangélicos brancos mais jovens.
Agora não basta rezar. Obama precisa trabalhar para realmente garantir que a história marche a seu favor além de um ciclo eleitoral.

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