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Obama na galeria com Roosevelt e Carter

06/11 - 04:12 - Caio Blinder, de Nova York

NOVA YORK- É estranho discutir qual será o papel na história de Barack Obama no day after (está bem, dois dias depois) de sua eleição. Mas o simbolismo de sua vitória e a magnitude da crise econômica americana (para não dizer de sua identidade imperial) antecipam uma discussão.

Na galeria de presidentes americanos, Obama, o 44, tem uma cara bem diferente. Finalmente, uma mudança. Mas com qual dos antecessores ele poderá ser mais parecido? A gravidade do quadro econômico e o fato do país estar travando duas guerras (Iraque e Afeganistão) levam a paralelos com Franklin Roosevelt. É verdade que hoje a coisa está ruim, mas ainda não descambou para o buraco negro da época de Roosevelt com a Grande Depressão, Pearl Harbor e Hitler.

De qualquer forma, há um senso de urgência marcando a ascensão de Obama.

Seu sóbrio discurso de vitória em Chicago na terça-feira à noite, advertindo sobre os dias difíceis adiante, prepara os americanos para uma era de carestia, depois de uma afluência movida a dívida e desatinos na politica externa. Um grande presidente deve ter a audácia para encarar frontalmente os desafios. Vale lembrar que os EUA saíram maiores da era Roosevelt-Truman.

Há alguns referenciais mais próximos para Obama. Nas últimas décadas tivemos os governos democratas de Jimmy Carter e Bill Clinton, mas, de fato, havia uma hegemonia conservadora iniciada por Richard Nixon em 1968 e consolidada por Ronald Reagan em 1980. É possível ver o triunfo de Obama como o início de uma era anticonservadora ou de forma menos abrangente como o repúdio ao status quo. Muitos marqueteiros republicanos, aliás, minimizam a vitória de Obama dizendo que no final das contas aconteceu um referendo da era Bush e não o triunfo de uma nova ordem.

Temos, sem dúvida, um cenário indefinido, pela própria falta de clareza sobre o idéario de Obama (ora visto como um esquerdista da velha escola, ora rotulado como um centrista cauteloso) e também sobre a gravidade da crise americana. Muita coisa estar no ar: o papel do Estado americano, o papel do Estado na economia e o papel dos EUA no mundo.

É cedo para tirar conclusões com base em uma eleição, por mais histórica que ela seja. No mínimo, é um vigoroso e merecido repúdio à era Bush. Ainda não sabemos se Obama terá estatura para forjar uma agenda alternativa. Podemos, no entanto, terminar esta pensata, retornando ao referencial Roosevelt. Em 1932, poucos anteviam as mudanças sísmicas que estavam para acontecer em função da eleição presidencial.

De concreto, era o repúdio do patético e desastroso Herbert Hoover.

Roosevelt acabou ganhando um lugar de honra na galeria de presidentes americanos. Obama, a cara nova, prefere olhar para este retrato grandioso do que, por exemplo, para o de Jimmy Carter, que assumiu em 1976 graças a uma onda de repúdio à era Nixon e, no entanto, tem um lugar pequeno na história.

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