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Presidente Obama, talvez ele possa

05/11 - 02:06 - Caio Blinder, de Nova York

NOVA YORK - A lista de agradecimentos do presidente-eleito dos EUA, Barack Obama, é imensa. Antes de mais nada, vai para sua majestade, o eleitor. Como Obama, ele rompeu barreiras históricas. Na lista estão também Martin I Have a Dream Luther King, a avó branca recém-falecida no Havaí, os advogados judeus que patrocinaram o início de sua carreira em Chicago, a desastrosa dupla Bush-Cheney que deu oportunidades eleitorais aos democratas, Hillary Clinton, que tornou o agora vitorioso um melhor candidato, o melancólico lutador John McCain, incapaz de deter a onda Obama, a sinistra Sarah Palin que assustou independentes, e os magos de Wall Street que bolaram a poção venenosa dos derivativos e assim aceleraram o banzo econômico global. 

Da lista de agradecimentos, porém, não constam ex-comparsas como o incendiário pastor Jeremiah Wright e o escroque imobiliário Tony Rezko. Acontece. Obama era candidato a presidente e não a anjo.

Portanto,  parabéns, Obama. É assim que se faz um líder. No começo de 2007, havia dúvidas se Obama estava sendo prematuro ao iniciar sua ambiciosa jornada eleitoral. Não estava. Ele é o homem do momento, com sua inexperiência e floreios retóricos, mas também com seu carisma, temperamento, inteligência e implacável capacidade para organizar, tirando toda a vantagem de velhas técnicas de mobilização comunitária e os mais modernos instrumentos tecnológicos.

Mérito à parte, houve o timing para se aproveitar das oportunidades abertas pelos fracassos da era Bush (da qual McCain desesperadamente tentou se distanciar) e o visceral descontentamento popular, que se aprofundou com a encrenca econômica. Woody Allen disse que 80% de sucesso é aparecer e Obama apareceu na hora certa, enquanto McCain cometeu tantos erros, como abraçar a base de direita com a escolha de Sarah Palin para ser companheira a vice e assim alienar uma parcela do país que não quer se engajar em desgastantes guerras culturais, mais interessada em soluções para problemas econômicos.

Os erros de McCain ajudaram Obama a definir sua campanha na reta final, embora nada disso adiantaria se o vitorioso não soubesse quando iniciar a corrida. Obama viu que havia espaço para um senador negro noviço. O improvável da candidatura o tornava atraente. O convite não era apenas para transcender raça, mas saltar pelos temas de décadas anteriores (Vietnã, guerras culturais, um patriotismo tacanho e rígidas divisões partidárias entre o azul democrata e o vermelho republicano ). E o convite ficou mais irresistível com a idéia de simplesmente passar como um rolo compressor sobre a era Bush.

Ser pós-tudo sempre traz o perigo de não ser nada. O teste ficará mais patente quando o vitorioso eleitoral cheio de promessas se converter no presidente do concreto e administrador de uma idade de carestia. Obama, apesar de uma breve carreira, foi testado em uma brutal jornada de primárias e eleições gerais. Um teste crucial foi em 24 de setembro, quando McCain se tornou personagem de pantomina e suspendeu sua campanha para tentar conseguir a aprovação no Congresso do pacote de resgate financeiro. McCain queria adiar o primeiro debate presidencial. Obama manteve o sangue frio e lembrou que um presidente lida com várias situações ao mesmo tempo. A percepção de liderança de Obama se consolidou junto ao eleitorado.

Liderar será preciso nesta era horribilis. No início do milênio, George W. Bush foi um presidente acidental. Barack Obama talvez venha a ser o primeiro líder genuíno dos EUA no século 21. Claro que as expectativas que ele projeta excedem o que qualquer mortal pode conquistar.

Em uma rápido comentário cabotino, eu gostaria de observar que endossei a candidatura de Obama, mas não serei chapa branca, endossando o seu governo. De qualquer forma, Obama é um líder que inspira, mereceu a vitória no 4 de novembro e tem condições para, ao menos, dar uma nova chance ao seu país. Boa sorte. O que é bom para os EUA, pode ser bom para o mundo.





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