13/10 - 07:32 - Caio Blinder, de Nova York
NOVA YORK-Se o pânico é insano, também é leviano imaginar que a caravela da economia global já esteja navegando para um porto seguro com esta blitz em curso de reuniões, ações concretas em todas as partes do mundo e o ânimo nas bolsas em uma segunda-feira que desta vez não pode ser definida como negra.
Mas ao menos existe um compasso indicando o rumo a ser tomado para restaurar a confiança no sistema financeiro mundial e suavizar o impacto da recessão em marcha.
Em um milagre que foi fruto de desespero, a Europa, na reunião do G-15 em Paris, no domingo, finalmente se mostrou capaz de tomar decisões conjuntas com agilidade, mas se ajustando a realidades nacionais.
Ironicamente, a inspiração para o plano de recapitalização dos bancos e garantias para empréstimos interbancários veio daquelas ilhas britânicas cheias de idiossincracias e que vacilam para serem parte da Europa. O pai da criança é o primeiro-ministro Gordon Brown, que, quem diria, semanas atrás parecia que estava com a carreira política falida. Brown é o dirigente do momento.
Washington também foi outro foco de reuniões e planos de ação. A capital americana sediou a batelada de encontros do FMI/Banco Mundial e do grupo disso e daquilo. Ao contrário de Gordon Brown, é difícil ver George W. Bush recuperar o crédito. O homem está mais quebrado do que estas financiadoras de hipotecas de alto risco. Mas seu secretário do Tesouro, Henry Paulson, vai lubrificando o plano de resgate americano, indo mais na linha de Brown de injetar capital diretamente nos bancos, ao invés de comprar papéis podres, e, de fato, nacionalizando parcialmente o setor. Esta guinada significa uma implementação mais rápida e uma injeção mais vigorosa de confiança no sistema bancário.
Foi interessante ver a atitude de Bush neste fim-de-semana. O companheiro George estava até sentado ao lado do ministro da Fazenda do Brasil, Guido Mantega, ao aparecer de surpresa na reunião do G-20, o grupo que congrega os ex-países ricos e os emergentes mais importantes, que correm o risco de submergir. O Bush da arrogância unilateral é massa falida. A nova palavra de ordem é: somos todos multilateralistas. Agora que a caravela global ameaça afundar, vamos todos remar juntos.
A mera menção a 1929 é capaz de provocar uma grande depressão em qualquer um, mas as atitudes dos últimos dias permitem traçar algumas diferenças. Depois do "crash" de outubro de 1929, foram precisos três anos para o governo americano lançar esforços dramáticos para sair do buraco.
Desta vez, em meio a passos vacilantes e método de erro/acerto, o mundo não está esperando o fim dele mesmo. Como lembra uma edição especial da revista "The Economist" nesta semana, a história nos ensina uma lição importante: grandes crises bancárias são resolvidas quando se despeja uma incrível quantidade de dinheiro público no sistema financeiro e com ação governamental decisiva.
Dois exemplos setoriais: nos anos 90, a Suécia se recuperou rapidamente quando interveio nos bancos quebrados, após uma bolha imobliária. A recuperação foi relativamente veloz. Em contraste, o Japão demorou uma década para se recuperar de sua encrenca financeira porque não atuou de forma decisiva. A encrenca custou aos cidadãos uma soma equivalente a 24% do PIB japonês.
Claro que a magnitude da atual encrenca é maior e, meu Deus, o referencial é a Grande Depressão. Quem sabe, La Nave Va não para o fundo do mar, mas em uma turbulenta jornada rumo a um porto, qualquer porto, mesmo inseguro.

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