09/10 - 07:03 - Caio Blinder, de Nova York
NOVA YORK - Por estes dias voláteis, angustiantes e incertos na economia global, nada é mais insano do que acompanhar a crise no canal de noticiário financeiro CNBC e ver o alucinado James Cramer dando dicas sobre o mercado no seu programa "Mad Money". Mesmo o excessivamente animado Cramer deu uma capitulada e aconselhou os investidores a venderam ações nesta carnificina financeira. E ele não fez isto em televisão por assinatura, mas na rede aberta NBC.
Parece loucura, mas aqui vou citar Cramer por sua recomendação sobre qual candidato presidencial será melhor para a economia americana e global. Não é muito consolo, mas o homem do "mad money" tem uma boa frase de efeito. Ele diz que com Barack Obama será recessão, com John McCain, a depressão. É curioso este tipo de avaliação, pois Wall Street em geral favorece os republicanos para administrarem a economia, mas desta vez há muito ceticismo sobre o porta-estandarte do partido.
São dias nervosos, de medo e já de pânico. Neste clima, McCain não é um presença reconfortante. Ele é tão volátil como os índices financeiros. Já disse que os fundamentos da economia americano eram sólidos e depois caiu de pára-quedas no meio da crise, bancando o xerife que resolve a parada. Esta semana, McCain fez o possível para mudar de assunto, alvejando o caráter de Obama, mas no debate entre os candidatos na terça- feira, os eleitores que fizeram perguntas deixaram claro que o foco deve ser o caráter da economia. O restó é picuinha. Cramer não perdoa McCain. Diz que ele parece não entender Wall Street nem Main Street (rua principal), ou seja, a economia real. No debate de terça-feira, foi uma piada quando McCain sugeriu que ele pode convocar a executiva Meg Whitman para comandar a economia no seu governo. Cramer diz que Whitman transformou eBay, um espetacular player no universo pontocom em uma franquia medíocre. Com sensatez, Cramer, o homem do "mad money", diz que Obama não é o Messias, mas hoje ele é visto pelos mercados como o mais competente administrador da crise. Parece entender a complexidade do problema e na sua equipe há gente preparada como Larry Summers, o ex-secretário de Tesouro, sem falar do endosso do bilionário salvador da pátria Warren Buffett.Para arrematar, Cramer diz que Obama é um "globalista", em uma era em que as economias mundiais são crescentemente interdependentes, para o melhor e para o pior. Nunca pensei que eu iria me acalmar um pouco com as recomendações de um maluco como James Cramer. Mas este é o estado das coisas neste outubro.
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