iG - Internet Group

iBest

brTurbo

 

publicidade

ULTIMO SEGUNDO

 

iG BUSCA

enhanced by


Home > Notícia
  • Tamanho do texto
  • A
  • A

Um presente terrível, um futuro talvez medonho

29/09 - 23:49 - Caio Blinder, de Nova York

NOVA YORK - Nas últimas semanas de sucessivos furacões financeiros - com o tsunami de segunda-feira - tornou-se um clichê dizer que o mundo vive a maior crise desde a Grande Depressão dos anos 30. Estamos no setembro negro, mas ainda não sabemos se viveremos algo semelhante ao que se passou 80 anos atrás. A única certeza é que estamos no meio desta grande crise, cujo epicentro é o império americano, com esta incrível confluência das turbulências econômicas e eleitorais.

Até a remota tarde de segunda-feira, quando a Câmara dos Deputados dos EUA rejeitou o pacote de resgate governamental do sistema financeiro era mais fácil fazer a seguinte especulação: talvez o pacote não servisse na sua função de conferir a estabilização dos mercados e dos ânimos. Mas ao menos mostraria um rumo.

E aqui é possível fazer uma remissão à Grande Depressão. Nos anos 30, os americanos e gente de outros países decidiram que os mercados não funcionavam. O governo, sim. Em alguns casos, isto deu no ignóbil triunfo do nazifascismo. Nos EUA, resultou (graças a Deus) apenas no "New Deal" de Franklin Roosevelt. Já nos anos 70, os americanos decidiram que o governo não funcionava e os mercados, sim. O grande arauto desta onda foi Ronald Reagan, num dueto com Margaret Thatcher.

A história dos últimos 80 anos, portanto, é esta oscilação das atitudes públicas entre governo e mercados, entre regulamentação e livre iniciativa, entre ajuda do governo e se virar sozinho na hora do sufoco. Mas, além da tensão que foi para as alturas com a votação de segunda-feira na Câmara, agora é a incerteza sobre o pêndulo histórico.

Na insurgência capitaneada pela maioria da minoria republicana e engrossada por setores democratas, foi brecada a maior intervenção governamental desde a Grande Depressão. Existe uma fúria populista canalizada contra Washington e Wall Street. A massa acha que está descolada dos problemas da elite.

Talvez as coisas entrem nos eixos e até o final de semana seja aprovado algum pacote remendado de intervenção, mas no meio de tantas incertezas fica claro como o caminho será tortuoso e penoso. Estamos pagando por excessos do setor financeiro, ilusões populares de que o valor dos imóveis poderia disparar sem limites, a fantasia de um estilo de vida movido à dívida e a inocência de que a economia não tem seus ciclos.

As advertências de que não fazer nada ou rejeitar o pacote trariam consequências desastrosas não comoveram de forma suficiente. O cenário adiante (hoje mesmo) de estrondosa calamidade talvez ajude a persuadir os céticos que esta intervenção governamental é necessária. Em caso contrário, pode ser o caos ou um Estado ainda mais medonho.





US Multimídia


Publicidade


Enquete