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O fim do mundo no conto dos bruxos Paulson e Bernanke

24/09 - 08:45 - Caio Blinder, de Nova York

NOVA YORK- Por estes dias, o poder em Washington está nas mãos do ex-banqueiro Henry Paulson e do ex-professor acadêmico Ben Bernanke. No setembro mais dramático do seu governo desde aquele em 2001 dos atentados terroristas, o presidente George W. Bush está praticamente ausente ou vivendo sua própria realidade. Bush fez seu discurso derradeiro na assembléia-geral da ONU na terça-feira em Nova York optando por caminhar no terreno familiar das ameaças do terrorismo. Falou de relance das ameaças ao capitalismo americano.

 

Mais atenção era devotada naquela hora do discurso de Bush aos depoimentos que Paulson (secretário do Tesouro) e Bernanke (presidente do Banco Central) faziam no Congresso, tentando convencer relutantes, cético e enfurecidos parlamentares sobre a urgência de aprovar o pacote de resgate de US$ 700 bilhões para a compra de ativos podres do sistema financeiro. Resposta do deputado republicano Joe Barton: só porque Deus criou o mundo em sete dias, isto não quer dizer que devemos aprovar a legislação em sete dias.

Mas Paulson e Bernanke advertem que será o fim do mundo sem a aprovação do pacote. O curioso é que dois burocratas que deveriam estar acalmando os mercados e um país sobressaltado precisam pintar um quadro aterrador para vender o que consideram a solução para a crise. O poder dos dois é descomunal, mas eles estão acuados para que haja ajustes no pacote. Os candidatos presidenciais Barack Obama e John McCain calibram as posições. Não querem ser responsabilizados pela detonação da proposta governamental, mas são sensíveis aos clamores populares contra os excessos e privilégios de Wall Street, apresentando suas sugestões e condições para o sinal verde.

Aliás já existe uma transição de poder em Washington. Não sabemos quem assumirá a presidência em 20 de janeiro, mas Paulson está em contato permanente com Obama e McCain. Um dos dois terá que navegar nesta nova ordem econômica que está sendo arquitetada pela dupla Paulson-Bernanke.

Existem resistências, mas a expectativa ainda é de que o socorro seja aprovado antes do fim de semana. Mesmo assim o preço da conta e o prazo imposto impressionam. Apenas para dar uma medida. Em 1932, no auge da Grande Depressão, três anos após o "crack" da bolsa, o governo americano criou a Corporação Financeira de Reconstrução para fazer empréstimos a bancos, empresas ferroviárias e outras companhias.  Foi feito um pedido de US$ 2 bilhões ao Congresso, equivalente a US$ 30 bilhões nos dias de hoje. A quantia foi gasta ao longo de um ano.

O país estava então em meio a uma catástrofe na economia real, e não apenas na ciranda financeira. A produção caíra 45% e o desemprego chegara a 24%. Paulson e Bernanke estão pedindo 23 vezes mais, num ano em que o desemprego é de 6,1% e o valor das casas caiu 20%. Não estamos ainda em 1932, mas é o tal conto dos bruxos Paulson e Bernanke se-o- pacote-não-for-aprovado. Quem paga para ver?

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