18/09 - 07:32 - Caio Blinder, de Nova York
NOVA YORK- E deu nisso. Há pouco menos de oito anos, George W. Bush asssumiu a presidência dos EUA prometendo uma politica externa "humilde" e um clima econômico na base do deixa rolar. Bush está chegando melancolicamente ao fim como um dos presidentes mais intervencionistas da história. Mas o seu inesperado "New Deal" não teve a grandeza do novo acordo formulado por Franklin Roosevelt nos anos 30 da Grande Depressão. Com Bush, é um desastre na guerra e na economia.
Com os atentados do 11 de setembro, Bush teve o pretexto e começou a botar para quebrar. No lugar de uma política externa humilde, veio a ambição ignorante. A partir de uma justificada intervenção no Afeganistão, que dava santuário aos terroristas da Al-Qaeda, Bush resolveu redesenhar o mapa-múndi, estendendo os tentáculos para criar uma nova ordem global.
No processo, ele esticou a corda imperial acima da conta. Hoje os americanos travam guerras no Iraque e Afeganistão e enfrentam uma crise mais profunda no Irã. A intervenção pró-democracia de Bush no Oriente Médio deu em um governo xiita em Bagdá e no pavor que é o Hamas no poder em Gaza. Na antiga esfera de influência soviética, Bush atiçou seu afilhado na Geórgia a tirar as manguinhas de fora, dando o pretexto para o urso russo velho de guerra colocar seus tanques em marcha.
Mas o que está na ordem do dia é a economia. Vamos lá. Após anos de negligência regulatória, o governo Bush embarcou num atabalhoado intervencionismo. A decisão de assumir o controle da gigantesca seguradora AIG aconteceu na terça-feira, um dia após as autoridades americanas terem dito basta e permitido a concordata do banco de investimento Lehman Brothers.
Como lembrou o jornal "The New York Times", tomar o controle da AIG foi a mais radical intervenção governamental em uma companhia privada na história do Banco Central americano. Esta intervenção aconteceu na esteira do resgate governamental das gigantes da hipoteca Fannie Mae e Freddie Mac.
Em questão de duas semanas, o sistema financeiro americano foi refeito. Um governo conservador implantou um socialismo de desespero com suas estatatizações. A intervenção foi insuficiente para acalmar os mercados globais. Nenhuma surpresa na falta de planejamento, em uma mera reação aos fatos. Afinal este é o governo que estimava que a invasão do Iraque em 2003 seria um passeio, sem exigir planos a longo prazo.
No governo do deixa rolar, as coisas rolam ladeira abaixo.
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