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Imprensa não é contra Palin, é pró-investigação

09/09 - 08:17 - Caio Blinder, de Nova York

NOVA YORK- Antes de rebater a idéia de uma "conspiração liberal" na imprensa a favor de Barack Obama, vale repetir que sou a favor da eleição do candidato democrata. É hora da mudança. O partido no poder deve ser punido por seus vexames. Não caio na conversa de John McCain de que ele esteja à frente de uma espécie do PR do antiB (Partido Republicano contra o Bush). Há alguns desvios na rota, mas no essencial é continuidade, é o McSame.

 

Nem sou tão liberal assim. Favoreço uma política externa americana "muscular" e lamento a incapacidade da esquerda para entender valores culturais e morais mais conservadores. Tal incompreensão leva à intolerância e também a um desprezo pelo "outro", que acaba dando munição para uma direita brucutu, doida para justificar seu obscurantismo. Também acho que ainda existe muito deslumbramento popular no Brasil com Obama simplesmente por ele não ser o Bush e também pela ilusão de que o candidato democrata irá virar a política americana ao avesso.

Vamos ao que interessa: não existe uma "conspiração liberal", conforme apregoam a imprensa conservadora americana e a campanha de John McCain, que até tempos atrás dizia que os jornalistas eram a sua "base".  A lua-de-mel- acabou porque a imprensa está fazendo o seu serviço, efetuando cobranças do candidato republicano e investigando esta tal de Sarah Palin, sua vice. A investigação é acompanhada de fascínio. Concordo que no caso de Obama o fascínio precedeu a investigação, mas há algum tempo acabou a tietagem.  

Basta ver um recente revisão de 17.455 histórias na imprensa escrita, no clipping eletrônico LexisNexis, entre 7 de julho e 17 de agosto. É verdade que Obama recebeu 38% a mais de cobertura do que McCain. Mas o fundamental a ser examinado é o tom desta cobetura. LexisNexis concluiu que 31% das histórias sobre o democrata eram negativas,  em contraste a 33% sobre McCain. Praticamente um empate.

Já um outro estudo sobre cobertura das redes abertas de televisão mostra que em julho Obama recebeu mais cobertura negativa do que McCain, depois de uma temporada positiva durante as primárias democratas. O autor é o acadêmico S. Robert Lichter, presidente do Center for Media and Public Affairs, professor e, sintomaticamente, consultor pago do Fox News Channel, que não pode ser descrito como integrante de uma "conspiração liberal".

A mídia é parcial...na busca de lucros. Ela está atrás da narrativa comercial mais atraente. O príncipe Obama reinou em números de histórias e comentários quando era novidade. Agora é a inundação com o furacão Sarah Palin. Agenda politica é com as campanhas. E no caso dos republicanos, um lance habitual para animar a base conservadora é denunciar a parcialidade da imprensa liberal. Cabe aos jornalistas não se intimidar e fazer o seu serviço, em uma conspiração do trabalho.

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