08/09 - 08:43 - Caio Blinder, de Nova York
NOVA YORK - Barack Obama fracassou. Calma, o candidato democrata não perdeu as eleições presidenciais americanas de novembro...ainda. Ele fracassou para andar nas águas com sua retórica de que não existem os estados azuis (democratas) e os estados vermelhos (republicanos), mas os Estados Unidos da América. Tal clichê ajudou a criar a Obamania.
É difícil um candidato pós-partidário mesmo em um país em que a identidade partidária é mais frouxa. Mais do que causar estragos, o "furacão" Sarah Palin fez com que emergisse a polarização politica, ideológica e cultural nos EUA.
John McCain permite que sua vice carregue na mensagem mais visceral, enquanto ele fica encarregado do discurso de um novo dia bipartidário em Washington. Aqui também é uma ilusão, como no idílio pós-partidário de Obama. Os dois lados lideram e seguem os clamores de mudanças. De repente, com exceção de George W. Bush e Dick Cheney, ninguém é status quo. Na hábil trama da chapa McCain-Palin, os dois concorrem pelo Partido Republicano do B.
Os dois candidatos se dizem agentes da mudança. McCain, há 26 anos como senador em Washington, fala em mudança com responsabilidade e sua mensagem adquire um frescor com Sarah Palin, que é efetivamente uma cara que nunca deu as caras em Washington. Já Obama, vulnerável às acusações de novidade pela novidade, recrutou um velho profissional do establishment para ser seu companheiro de chapa.
Neste lance, Obama perdeu, pois Joe Biden é o que existe de mais convencional no quarteto eleitoral, um contraste ao frenesi Sarah Palin, algo obviamente impelido pelo fato de ser a primeira mulher em uma chapa presidencial republicana e pela performance morna de McCain. Além de animar a base mais conservadora, Sarah Palin cumpre outro papel efetivo com seu populismo conservador, brandindo a vassoura contra as mamatas e as elites de Washington.
Mas os republicanos não devem se deslumbrar com Sarah Palin. O furacão pode ter rumos imprevistos com alguma gafe ou um escândalo. Pela lei natural da politica, o fenômeno da governadora da Alasca deve perder força por ser simplesmente a segunda na chapa. O foco será entre McCain e Obama. Portanto, é um drama para os democratas se devem pegar pesado em Palin, dando-lhe uma sobrevida como celebridade eleitoral.
Uma investida mais vigorosa pode trazer à tona o que por enquanto Sarah Palin não assume de forma escancarada: seu radicalismo religioso (contra todo tipo de aborto -até em casos de incesto e estupro- e a favor do criacionismo). Exibir este radicalismo fará com que um eleitorado mais moderado e independente perca a fascinação com o fenômeno, mas pode também acirrar a campanha republicana de que os democratas e a imprensa são sexistas e esnobes cosmopolitas.
Aqui está a ironia para Obama: a campanha é polarizada e existem os Estados Desunidos da América, mas como de hábito há um punhado de estados indefinidos ou flutuantes. A mensagem pós-partidária também faz sentido, ela é necessária. O mesmo vale para McCain. Ele precisa manter o pique animado da base tradicional e convencer os independentes que será o responsável agente da mudança.
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