iG - Internet Group

iBest

brTurbo

 

publicidade

ULTIMO SEGUNDO

 

iG BUSCA

enhanced by


Home > Notícia
  • Tamanho do texto
  • A
  • A

Obama desce das alturas para tentar subir ao poder

29/08 - 06:51 - Caio Blinder, de Nova York

NOVA YORK - Os republicanos querem manter Barack Obama nas alturas, fulminando que o candidato democrata vive nas nuvens da grandiosidade oca com sua eloquência e aura de celebridade . Na quinta-feira à noite no discurso mais importante de sua vida, Barack Obama desceu para a briga. Ele fez isto para abraçar ansiosos setores brancos de renda mais baixa até agora céticos em relação à mensagem do candidato de um partido que pela lógica política (e econômica) deveria triunfar em 2008 e também para reassegurar partidários nervosos que tem estofo para aguentar os rigores de uma campanha brutal até a eleição de 4 de novembro.

 

Não é fácil. Seu histórico discurso de aceitação como primeiro candidato negro de um grande partido à presidência dos EUA foi no estádio aberto em Denver -diante de 80 mil adoradores, com milhões assistindo pela televisão-, num cenário com colunas gregas. Não deu outra. No sarcasmo republicano, era o templo de Obama ou Barackópolis. Vai ser este coro contra o "grego" até a eleição de 4 de novembro. Tudo bem que no discurso de aceitação de George W. Bush em 2004, aqui no Madison Square Garden, em Nova York, lá também estavam as colunas gregas. A grandiosidade é coisa americana, bipartidária.

Ironicamente, com as colunas gregas ao fundo, não era a voz de Zeus, mas a de um mero e mortal candidato a presidente da ainda única superpotência do planeta se esforçando para se conectar com a massa, não apenas com sua retórica divina mas com uma conversa mais pé-no-chão. Obama não quer o Olimpo, somente a Casa Branca e tem uma longo caminho, a ser percorrido em apenas dois meses, para chegar lá. Nesta jornada, pelo menos não existe mais a sombra do casal Clinton. O psicodrama acabou. Bill e Hillary se renderam à realidade e abençoaram o garoto. O partido está unido.

Em contrapartida, Obama não quer dar sombra e água fresca ao rival republicano e deixou claro no discurso de quinta-feira que John McCain nada no mesmo pântano de George W. Bush. A associação entre os dois finalmente é uma palavra-de-ordem inflacionada na campanha democrata e Obama repetiu que o senador McCain votou mais de 90% com Bush, à frente de uma "presidência fracassada".

Mas Obama não foi ao estádio apenas para atirar pedra no rival. Estava lá para se reapresentar ao país. Existe este desafio para que os americanos se sintam à vontade com Obama e confiem nele, desfazendo a imagem pintada com afinco pelos republicanos de que seja uma figura exótica e inexperiente, embora arrogante. Ë um equilíbrio difícil assumir seu papel histórico de agente da mudança e, ao mesmo tempo, adotar um tom prosaico; ser combativo sem ser presunçoso.

A retórica na quinta-feira era mais metódica, menos altissonante, embora muito efetiva. Houve a ênfase em rebater o ataque republicano (aceitável dentro dos limites de uma guerra eleitoral civilizada) de que ele não está preparado para ser comandante-em-chefe. Obama precisa contundência neste "front" para que não seja abatido como John Kerry na derrotada campanha presidencial democrata de 2004. Obama disse que não vai engajar os EUA em conflitos desnecessários, mas não hesitará em defender o país. O candidato pegou pesado em política econômica, ecoando as aflições da classe média e dando muita atenção à alta dos preços (e dependência americana) do petróleo.

No aquecimento para o discurso de Obama, falou o ex-vice presidente Al Gore, derrotado no controvertido e apertado pleito do ano 2000. O Prêmio Nobel da Paz e paladino do meio-ambiente lembrou que eleições fazem diferença e implorou para que democratas e os americanos em geral impeçam que McCain "recicle" as políticas de Bush.

Gore disse que as eleições de 2008 serão apertadas porque "as forças do status quo estão desesperadamente temerosas da mudança que Obama representa". Talvez. O desafio, portanto, é para Obama descer das alturas e oferecer um convincente, razoável e concreto contrato de risco para assim subir ao poder. Quinta-feira, ele começou esta caminhada para baixo.

Leia também:

 

Leia mais sobre: Convenção Democrata - eleições nos EUA





US Multimídia


Publicidade


Enquete