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Obama precisa se vender como produto made in USA

25/08 - 08:34 - Caio Blinder, de Nova York

NOVA YORK-  Pode parecer estranho, mas na Convenção Democrata que está começando nesta segunda-feira em Denver, Barack Obama precisa se apresentar ao público. É irônico, mas para a massa americana este político que impulsionou sua carreira graças a uma original jornada pessoal ainda é um estranho. E convenções funcionam como minisséries de televisão ou informerciais. O candidato a ser coroado precisa assumir o controle da narrativa e se vender com maestria.  


Os republicanos tiveram algum sucesso nas últimas semanas para vender Obama como uma celebridade esnobe, vazia e inexperiente. Pior, como um alienígena que não professa os típicos valores americanos.  Portanto, uma tarefa básica para Obama nos quatro dias de informercial é recuperar a narrativa de sua jorrnada pessoal e apregoar que ele é uma bem sucedida história americana, alguém que veio de baixo.

O pai era o negro queniano, mas a mãe era a branca do Kansas que criou o filho, recorrendo aos cupões de alimentação e à ajuda dos pais dela. O elegante e cerebral Obama precisa estabelecer uma conexão emocional com os americanos, algo feito com brilhantismo por Bill Clinton na convenção democrata de 1992.

Falando do homem e na mulher Hillary, derrotada nas primárias, outra tarefa de Obama é remover os obstáculos para a unidade do partido, não permitindo que um punhado de simpatizantes clintonianos roubem a cena porque a ex-primeira-dama não é a candidata e nem mesmo companheira de chapa. Obama já fez uma média com o casal (ambos farão discursos) e haverá a votaçao simbólica do candidato e de Hillary Clinton, antes da coroação. Encerrada a catarse Clinton, o casal precisa expressar com convicção que Obama está pronto e qualificado para ser presidente. A ausência de um convincente show de unidade será algo embaraçoso.

O partido recebeu bem a escolha de Joe Biden para ser o companheiro de chapa de Obama e isto ajuda o candidato a neutralizar a condição de inexperiente. Mas na convenção, serão precisos muitos sinais de que Obama é um político que toma decisões sábias e que está cercado de veteranos "players". Eles precisam bater na tecla que çhegou a hora da mudança e que será empreendida com responsabilidade, mas também coragem, por Obama.

Sempre foi bobagem para os democratas tratar a eleição na base do já-ganhou devido à desmoralização republicana e às aflições nacionais. Claro que esta eleiçào deveria ser um referendo sobre o partido no poder, mas a campanha de McCain ardilosamente tenta transformá-la em um referendo sobre Obama. Outra tarefa-chave na convenção será reverter esta jogada e disparar que McCain irá representar um terceiro mandato de George W. Bush.

São tarefas essenciais para Obama garantir o seu primeiro mandato.

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