19/08 - 07:55 - Caio Blinder, de Nova York
NOVA YORK- As incertezas no turbulento Paquistão com a renúncia do presidente Pervez Musharraf se somam agora ao conflito na Geórgia como as duas crises quentes no cenário internacional quando Barack Obama está a menos de uma semana do início do espetáculo de sua coroação como candidato presidencial na convenção democrata de Denver.
Os republicanos de John McCain, claro, que fazem o que podem para estragar a festa e as crises internacionais coincidem com os esforços para questionar a capacidade de Obama para comandar a ainda única superpotência do planeta e lidar com explosivos desafios geopolíticos. A tática republicana é abafar a narrativa de Obama colocando McCain como um herdeiro da massa falida do governo Bush. O empenho é transformar a eleição em um referendo sobre o candidato democrata.
E se o tema é segurança nacional, a idéia é fazer com que os eleitores se sintam inseguros com o novato senador democrata, que nem de longe tem o currículo do veterano oponente republicano, que alçou vôo na política graças à sua história de piloto de avião abatido na Guerra do Vietnã, aprisionado e torturado pelo inimigo. Não é à toa que um comercial de campanha de McCain, em alusão a Obama, pergunta: "Será que ele está pronto para liderar"?
A percepção de experiência republicana é irônica. Afinal, o ignorante e inexperiente George W. Bush, quando assumiu a presidência em janeiro de 2000, cercou-se dos chamados "homens sábios" como o vice-presidente Dick Cheney e o ex-secretário de Defesa Donald Rumsfeld. E deu no que deu. Apesar de alguns progressos, a guerra no Iraque continua altamente impopular, os extremistas islâmicos ressurgiram nas bandas do Afeganistão/Paquistão, o Irã desenvolve rapidamente seu programa nuclear e a Rússia coloca as manguinhas (e os tanques) de fora no seu quintal.
Mas, de novo, vale lembrar que o objetivo de McCain é transferir o debate para a falta de currículo de Obama ao mesmo tempo em que ele mantém uma distância do fardo de Bush. Basta ver que McCain teve agilidade (e leviandade) para impor na semana passada, tanto para Bush como para Obama, a narrativa agressiva para lidar com os russos na crise da Geórgia.
Ainda não dá para medir com precisão junto ao eleitor o impacto destas crises em marcha no cenário internacional, mas há indicações de que está se reabrindo o fosso entre democratas e republicanos nas questões de segurança nacional, que fora estreitado nos últimos dois anos devido aos desastres em política externa do governo Bush. É sintomático que já em julho, uma pesquisa Wall Street Journal/TV NBC tenha mostrado que três em quatro americanos acreditam que McCain possa ser um bom "comandante-em-chefe", em comparação ao racha de 52% a 42% no caso de Obama.
Apesar de duas guerras (Iraque e Afeganistão), a campanha presidencial de 2008 tem desafios domésticos e econômicos como as grandes frentes de batalha. Para Obama, é essencial que continue assim, sem que o foco dos americanos se desvie para rincões como Ossétia a e Waziristão.
Leia mais sobre Barack Obama

Publicidade
Democratas apostam em hispânicos "populares" para ganhar votos
"Vou vencer a corrida para a Casa Branca", garante Obama a seus doadores