18/08 - 08:35 - Caio Blinder, de Nova York
NOVA YORK- Os americanos saúdam e se consolam com Michael Phelps, o superatleta da ainda superpotência que enfrenta o avanço chinês na Olimpíada, na economia, na gepolítica e não sabe exatamente como lidar com os jogos de guerra da Rússia na Geórgia. E é claro temos aquela outra competição para saber quem irá comandar a equipe dos EUA por pelo menos quatro anos a fio.
Phelps é uma máquina competitiva, teve garra para superar adversidades e exibe uma arrasadora vontade para ganhar. Ainda por cima, na era de celebridades arrogantes, ele leva jeito de bom sujeito. Está aí uma inspiração ideal para candidatos presidenciais. O democrata Barack Obama e o republicano John McCain estão iniciando uma arrancada de três semanas na corrida para a Casa Branca. São momentos de braçadas vigorosas, necessidade de fôlego e o cuidado para não se afogar em gafes ou se atrapalhar com movimentos equivocados.
São três semanas de escolha dos companheiros (as) de chapa, convenções coreografadas e discursos supostamente históricos. Vivemos a era do noticiário 24 horas e da escalada de informação (e desinformação) da Internet, mas somente agora os americanos devem começar a prestar atenção para valer na corrida eleitoral. Isto ficará ainda mais flagrante com o fim dos jogos olímpicos no próximo domingo e das férias de verão.
Vigor não é um estado automaticamente asssociado ao velho soldado McCain, mas ele chega melhor posicionado a esta fase da campanha. O pessoal de Obama faz o possível para exibir tranquilidade, mas satisfação mesmo deve ser creditada ao candidato republicano. O democrata não arrancou nas pesquisas, embora mantenha uma ligeira vantagem. Apesar de Bush, da economia e de tudo, McCain está colado em Obama.
Pairam aquelas dúvidas sobre a inexperiência e o exotismo do candidato democrata. A campanha de McCain passou as últlimas semanas martelando o rival como uma mera celebridade, ao estilo Britney Spears ou Paris Hilton. Da parte do democrata, ainda não aconteceu uma ofensiva agressiva, marcada por ataques pessoais. McCain é claro não precisa fazer diretamente o trabalho sujo. Estão na praça best-sellers difamatórios como "Obama Nation", de Jerome Corsi, com as alegações de uma agenda criptomuçulmana e uso de drogas.
Há uma certa exasperação entre setores pró-Obama, com a cobrança de uma campanha mais específica e menos discursiva. Obama fala muito em esperança, mas existe esta expectativa para que ele encare mais diretamente as ansiedades nacionais, seja na economia, seja no manejo de crises internacionais. O comando da campanha rebate que está tudo sob controle e que há variáveis mais importantes do que as pesquisas do momento como o empenho para registrar novos eleitores e levá-los a votar em 4 de novembro.
Obama segue como o favorito para levar o ouro, mas vendo de hoje não parece que será um negócio da China.
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