24/07 - 07:27 - Caio Blinder, de Nova York
NOVA YORK- O republicano John McCain não consegue esconder sua frustração (e inveja) com o carnaval que a imprensa faz com o democrata Barack Obama. E o confete não pára nesta viagem "presidenciável" de Obama pelo Oriente Médio e Europa. Mas o que o McCain queria? Nem dá para comparar as imagens da semana.
Lá está o veterano senador republicano (71 anos) andando de carrinho de golfe com o ex-presidente Bush (84 anos) no Estado do Maine, enquanto o jovial Obama, com charme Kennedy, passeia de helicóptero com o general David Petraeus, vistoriando a frente de batalha iraquiana. Os partidários de McCain reclamam da ênfase que jornalistas e comediantes dão à idade do candidato e à sucessão de suas gafes. Mas, de fato, não pega bem para um politico que bravateia sua experiência em política internacional confundir Somália com Sudão e trocar datas sobre eventos essenciais no Iraque.
De resto, nenhuma surpresa que esta visita ao exterior daria neste oba-oba de Obama. Este era o plano do candidato presidencial democrata. A imprensa internacional, em particular a européia, há muito tempo aderiu à festa. Natural. Obama é uma sensação, ainda um fenômeno. O resultado é que nas livrarias alemãs esteja um livro com título "O Kennedy Negro".
Para os europeus, no geral, tudo que não é Bush (o filho daquela do carrinho de golfe) é bom. E esta semana, com as escalas na Alemanha, França e Grã-Bretanha tem sido tietagem jornalística sem escrúpulos. Toby Harnden, editor do conservador jornal britânico "Daily Telegraph", diz que existe a impressão de que "um comitê de europeus" decidiu que Obama é o presidente americano ideal.
Existem ironias neste deslumbramento. Um exame mais minucioso das posições de Obama mostra que ele está à direita da opinião convencional dos europeus. Sua posições a favor do porte de armas, pena de morte para alguns tipos de crime e reforço de tropas no Afeganistão deveriam manchar esta imagem ideal construída na imprensa européia. Aqui e ali começam a pipocar sinais de sobriedade, mas no geral a edição da revista alemã "Der Spiegel" devotada a esta viagem do candidato presidencial democrata tem formato de hagiografia, com frase do gênero "Obama é a esperança do Ocidente cheio de preocupações".
Outro ponto é que a eleição de Obama em novembro é dada praticamente como garantida. Quem sabe, só mesmo a vitória do candidato fará com que os europeus caiam na real e deixem de lado a tietagem. Em contrapartida, uma análise mais sóbria não deve impedir publicações respeitadas como o semanário alemão "Die Zeit" de publicar um editorial destacando que Obama "é a coisa certa para os EUA".

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