18/07 - 07:07 - Caio Blinder, de Nova York
NOVA YORK- Esta sexta-feira é dia de festa para os sul-africanos e para todos nós. Nelson Mandela está celebrando 90 anos. O ex-rebelde, ex-prisioneiro (27 anos), ex-presidente, prêmio Nobel da Paz e herói da longa, porém bem sucedida, luta para enterrar o apartheid é um dos estadistas do século 20. O icônico Mandela é uma espécie de santo secular, mas com sua sagaz modéstia ele se considera um mero político.
Às vezes é duro conter a emoção. Chorou quem viu na televisão a saída de Mandela da prisão há 18 anos. Vamos nos recompor. Mandela não é o Messias e não conduziu os sul-africanos para uma terra prometida. Ele impediu uma guerra civil e foi o arquiteto de uma democracia multirracial, cheia de problemas como altíssimo desemprego, altíssima incidência de Aids e altíssima taxa de violência urbana. O apartheid acabou, mas os brancos mantêm os privilégios sócio-econômicos, hoje compartilhados por uma minoria de negros emergentes. O presidente Thabo Mbeki é um anão na frente do gigante Mandela. No comentário maldoso, Mbeki, o príncipe do rei Mandela, virou sapo.
Mandela nunca foi chegado aos detalhes de governo. Seu grande feito como presidente foi topar apenas um mandato, em uma de suas sábias lições, infelizmente não aprendidas por uma legião de déspotas africanos, a começar o vizinho Robert Mugabe, do Zimbábue.
Quantas lições ministradas por este sábio. Perseverança sempre foi uma marca de Mandela, talvez por saber que a história estava do lado dele. Ele também sempre foi inflexível no seu objetivo moral de destruir o apartheid, mas mostrou que era possível fazer compromissos sem abrir mão dos princípios. Quem negocia precisa conhecer o inimigo e para tal Mandela aprendeu africâner, a língua do apartheid. Tem mais: quem negocia na busca genuína de um acordo não pode expressar ressentimento. Mandela destruiu um odioso regime sem destruir o país ou dizimas os algozes da véspera. Venceu e implantou uma política de reconciliação.
A lista de gestos memoráveis de Mandela é imensa. Quando a seleção sul-africana de rugby venceu o campeonato mundial em 1995, o primeiro presidente negro do país, com o uniforme da equipe, desceu ao gramado para dar os parabéns aos jogadores. Em um país em que rugby era sinônimo do apartheid, foi um incrível gesto de reconciliação. Os torcedores no estádio, em sua maioria, homens brancos, muitos chorando, gritavam Nelson! Nelson! Nelson!
Parabéns, Nelson.

Publicidade
Mandela recebe mais de 500 pessoas em nova festa por seus 90 anos
Mandela lembra ao mundo que a pobreza continua afetando a África
Mandela comemora 90 anos em seu povoado natal na África do Sul