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O príncipe Barack Obama está nu e sem vergonha

11/07 - 06:57 - Caio Blinder, de Nova York

NOVA YORK - Muitos colunistas e ativistas liberais (leia-se de esquerda) nos EUA estão decepcionados, indignados e chocados com o candidato democrata à presidência Barack Obama. Ele está se revelando muito liberal, não nas posições, mas para trocar de posições. O político que prometia reinventar a política, agora se reinventa como um mero político. É uma virada tão mecânica que o desiludido Frank Rich, do "The New York Times", lançou a candidatura do adorável robô Wall-E para presidente.

 

Mas por que o choque? De fato, Obama está meio robotizado. Ele fez o que todo candidato democrata precisa fazer se realmente ambiciona a Casa Branca. Deve correr para o centro na campanha das eleições gerais após disputar as primárias pela esquerda.

Uma máquina privada de arrecadação de fundos eleitorais, Obama mudou de idéia e renegou o financiamento publico. Não quer parecer frouxo em lei e ordem. Agora é a favor de armas para os cidadãos em casa e pena de morte para estupradores de crianças. O que deslanchou a candidatura de Obama, além de sua fascinante história pessoal de filho de mãe branca do Kansas e pai negro do Quênia, foi sua oposição pioneira à guerra do Iraque. Agora, ao invés da ladainha sobre um calendário para a retirada das tropas americanas daquele país, ele fala em "refinar" sua opinião.

Antes Obama era acusado de excesso de idealismo. Agora leva chumbo de alguns como excessivamente cínico. Muita saraivada vem da direita, que denuncia Obama como oportunista e de roubar algumas de suas bandeiras de luta, algo que foi feito nos anos 90 por Bill Clinton. O político promissor que escreveu o livro "Audácia da Esperança" é acusado agora pela audácia das piruetas. A cobrança é desmedida, pois Obama sempre se apresentou como um político pós-partidário e pragmático e não um rígido ideólogo.

Existe esta dose de oportunismo eleitoral, mas a prioridade de Obama é se desfazer da carga de "exotismo" e com isto ele até carrega nas patriotadas. Obama quer acalmar o eleitorado diante de um animal político um pouco diferente e afugentar o fantasma do racismo. Nas devidas proporções, é o que foi feito pelo presidente Lula na campanha eleitoral de 2002, passando o recado de que era ele manso e não era um bicho-papão da burguesia. Outras coisas foram papadas.

Chegamos ao ponto em que um sujeito que concorre ao cargo mais poderoso do mundo é denunciado por sua ambição O jornal "Financial Times" diz que "a fome de vitória define Obama". Ainda bem. Em caso contrário, ele seria um candidato anêmico. O mesmo "Financial Times" admite que a história está a favor de Obama. O baú de dinheiro de campanha dele é muito mais pesado do que o do republicano John McCain, com as tempestades econômicas os eleitores preferem um timoneiro democrata e, obviamente, existe a fadiga com o partido de George W. Bush.

Muito se fala que a eleição de novembro será apertada, mas muitos observadores independentes acreditam que uma lavada de Obama seja uma possibilidade crescente. As piruetas até ajudam. Vá lá. Há esta desilusão com o agente da mudança, com o garoto-propaganda da esperança. O príncipe está nu. Vai se cobrir, sem vergonha, com o manto presidencial.

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