04/07 - 03:32 - Caio Blinder, de Nova York
NOVA YORK- O porta-voz de Robert Mugabe, o tirano do Zimbábue, quer que o diabo me carregue. Nada pessoal. O tal do George Charamba deseja o pior para todos aqueles que desejam o melhor para aquele país africano. Mugabe e Charamba ficam fulos com as críticas à democracia à moda zimbabuana, ou seja, com assassinatos, brutalidade, intimidação e fraude.
Para Mugabe, críticas são fruto da arrogância ocidental. Então, como é que ficam Nelson Mandela e Desmond Tutu neste contexto? Para o tirano, bons africanos são seus comparsas da União Africana. Conforme prometera o tal do Charamba, Mugabe entrou e saiu como presidente da reunião de cúpula no Egito, esta semana. O oriental Ban Ki-Moon, secretário-geral das Nações Unidas, dissera que esta cúpula seria um teste do compromisso da União Africana com a democracia. Reprovada.
Como lembra a revista "The Economist" (um modelo de arrogância ocidental), em sua maior parte, os dirigentes africanos foram "vergonhosamente silenciosos". A União Africana conseguiu apresentar apenas uma patética resolução conclamando que Mugabe e o líder da oposição Morgan Tsvangirai partilhem o poder. Nada de censuras ao tirano ou o pedido para novas eleições, anulando a farsa da semana passada sem a participação de Tsvangirai.
Mugabe é um farsante insuperável. De acordo com relatos, na reunião a portas fechadas com seus ilustres colegas de trabalho no Egito, Mugabe disse que eles não tinham moral para passar sermão. Quando confrontado por Umaru Yar'Adua, o tirano do Zimbábue lembrou que as eleições na Nigéria tinham sido ainda mais sujas.
Nunca houve altas expectativas sobre esta cúpula africana. Mugabe, "reeleito" para um sexto mandato chegou escoltado pelo anfitrião, o egípcio Hosni Mubarak, que está no seu quinto mandato presidencial. Dos 53 países da União Africana, apenas 11 têm o privilégio de plenas condições democráticas.
Mugabe vive, enquanto seu país está morrendo, vítima do colapso econômico e político. O Senegal é um dos países mais democráticos da África. Seu ministro das Relações Exteriores, Cheikh Gadio, observou que os africanos insistem que o Ocidente, com seu prontuário de colonialismo, não deve se intrometer nos assuntos do continente, mas "nos momentos de crises nós não queremos falar sobre isto".
Charamba, nós vamos continuar falando, na esperança de que o diabo não carregue a África, com exceção, talvez, de muitos dos seus dirigentes.

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