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Coragem e oportunismo marcam viagem de McCain na América Latina

02/07 - 07:15 - Caio Blinder, de Nova York

NOVA YORK - Coragem, oportunismo e ambigüidade marcam a viagem de três dias que o candidato presidencial republicano John McCain está realizando pela América Latina. As escalas são Colômbia (o grande aliado dos EUA abaixo do Texas) e o fronteiriço México.

Há coragem de McCain na escala iniciada na terça-feira em Cartagena, na Colômbia, destinada, entre outras coisas, a reafirmar seu compromisso com o livre comércio, quando há crescente ceticismo da opinião pública americana sobre suas vantagens. McCain e o presidente Bush defendem o tratado bilateral de livre comércio EUA-Colômbia, bloqueado no Congresso de maioria democrata e que conta com a oposição do candidato rival Barack Obama.

Os argumentos sobre violações de normas trabalhistas e direitos humanos na Colômbia governada por Alvaro Uribe em parte são desculpas para os pendores de protecionismo comercial dos democratas. Uma medida da coragem é que McCain partiu para a América Latina após um giro eleitoral pelos estados de Indiana e Pensilvânia, onde muitos empregos industriais migraram para o México e outras paragens com mào-de-obra mais barata. McCain é firme defensor do Nafta (o tratado de livre comércio entre EUA, México e Canadá), que Obama, se eleito, promete renegociar.

A escala colombiana do velho soldado McCain tem o toque de típico oportunismo eleitoral para mostrar que ele está muito preparado para lidar com desafios de segurança nacional, enquanto Obama é um recruta. O republicano defende a linha dura do governo colombiano contra as FARC e se alinha com Uribe nas suas desavenças com a Venezuela de Hugo Chávez. Quando pode, McCain fustiga Obama por propor negociações diretas com adversários dos EUA, como Chávez. O democrata já calibrou a mensagem para não parecer uma pombinha ingênua e, assim como McCain, disse que os colombianos têm o direito de atacar os rebeldes das Farc fora das fronteiras nacionais.

Na terça-feira à noite, o próprio Uribe, mais afinado com McCain, mas preocupado em não se envolver na disputa eleitoral americana, elogiou a postura de Obama, enquanto o candidato republicano pediu mais avanços na questão de direitos humanos na Colômbia, embora tenha destacado os progressos na luta contra a guerrilha de esquerda.

As escalas na Colômbia e Mexico servem para McCain passar o recado aos dois países para se esforçarem mais no combate às drogas (que conta com financiamento americano). No México, um tema essencial claro que será imigração ilegal. O tema é delicado e emocional. McCain, no geral, tem posições mais abertas do que o seu partido (e o mesmo se aplica ao presidente Bush), propondo soluções para o problema que incluem uma mescla de mais repressão na fronteira, uma economia mais robusta na América Latina e mecanismos para integrar os milhões de ilegais que já estão nos EUA.

Na fase das primárias republicanas, McCain adotou um discurso mais policialesco sobre ilegais. Mas agora ele precisa de mais ambiguidade e sensibilidade, pois está na missão de cortejar o eleitorado hispânico, que é pró-democrata e pode ser o fiel da balança em alguns estados cruciais na eleição de novembro.

McCain estará de volta antes da sexta-feira, o 4 de julho, dia da independência americanal. Tanto ele como Obama estão preparados para a parada. Passaram a semana enrolados na badeira, em uma patriotada oportunista.





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