25/06 - 07:58 - Caio Blinder, de Nova York
NOVA YORK- O republicano John McCain talvez até vença a maratona presidencial americana, mas na corrida de campanha na internet ele está tomando uma lavada do democrata Barack Obama.
De imediato, existe uma diferença pessoal na familiaridade com a tecnologia. Assessores de Obama dizem que, sempre que há uma brecha, Obama checa o seu Blackberry. Já McCain, quando perguntado pelo site Politico.com se ele usa Mac ou PC, respondeu: "Eu sou um analfabeto e dependo da minha mulher para a assistência (técnica)".
As diferenças mais importantes, porém, estão na filosofia sobre o uso da internet em campanha eleitoral. As vantagens do candidato democrata são espetaculares e refletem sua afinidade com a geração mais jovem. O universo barackobama.com tem as mesmas ferramentas do Facebook, MySpace e YouTube. Tal desenvoltura é vital para explicar o sucesso da campanha para mobilizar partidários e arrecadar fundos.
A campanha de Obama montou uma significativa rede social online. Apenas no Facebook, são quase 1 milhão de simpatizantes. Em comparação, McCain tem menos de 150 mil. Existe uma mentalidade proselitista online na campanha Obama. Sua equipe trabalha agressivamente para coletar os e-mails daqueles que comparecem aos eventos de campanha, proporcionando assim uma rede de voluntários em potencial. A idéia justamente é cimentar um relacionamento ativo com os partidários, uma postura bem ao ritmo da internet.
E aqui chegamos em um outro ponto fundamental do sucesso online de Obama. Em geral, os sites dos candidatos imediatamente pedem contribuições. No caso de Obama, existe este empenho para cimentar o relacionamento antes de colocar o pires virtual.
A máquina de arrecadação de fundos de Obama já é lendária, com uma formidável participação de pequenos doadores. Mais de 90% das contribuições são abaixo de US$ 200 e muitas destas quantias costumam ser fornecidas online.
O sucesso na fase das eleições primárias foi tão grande que Obama não cumpriu o que prometera e na semana passada anunciou que estava abrindo mão dos fundos públicos de campanha para as eleições gerais de novembro (US$ 85 milhões), pois, de acordo com as estimativas, poderá arrecadar privadamente o triplo desta quantia.
Obama também está dando uma lavada em McCain em gastos com publicidade eleitoral online. Uma análise do site Politico.com dos números da Comissão Eleitoral Federal mostra que até agora o candidato democrata gastou cerca de US$ 7 milhões em anúncios na internet. Na campanha do republicano foram menos de US$ 2 milhões. As cifras são uma frustração para os executivos de portais e site noticiosos.
Pelas estimativas da agência de consultoria politica MSHC, os números representam 2% dos gastos totais com publicidade eleitoral. Na reta final da campanha (os dois últimos meses), os investimentos digitais deverão aumentar, mas Moritz Loew, diretor de vendas do MSNBC.com, acredita que somente nos próximos ciclos eleitorais haverá um maior impacto de campanha paga na Internet.
Já na parte de conteúdo, a campanha está a todo vapor em portais e sites noticiosos, que hoje em dia trazem alguns dos ingredientes mais picantes de livre expressão política. As comunidades online receberam de braços abertos as campanhas eleitorais, mas os portais e sites trabalham com algumas normas para controlar o fluxo de conteúdo.
A direita não gostou quando o YouTube removeu temporariamente um vídeo da blogueira conservadora Michelle Malkin reclamando dos ataques islâmicos contra a liberdade de expressão.
Já os esquerdistas se queixaram quando foi removido um clip de John McCain cantando "Bomb, Bomb Iran", no tom da música do grupo Beach Boys. O Facebook diz ser democrático e trata material político como qualquer outro conteúdo, de acordo com os termos de serviço envolvendo difamação, racismo, pornografia e ações ilegais.
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