11/06 - 07:33 - Caio Blinder, de Nova York
NOVA YORK- As Farc estão perdendo dentro de casa. Hugo Chávez está perdendo dentro de casa. É normal, portanto, uma reversão de curso do presidente da Venezuela, reconhecendo que a luta armada está "fora de lugar" não apenas na Colômbia, mas na América Latina. Chávez precisa preservar o seu próprio lugar.
As coisas não marcham bem nos "fronts" externo e doméstico da revolução bolivariana. Chávez nega de forma veemente que sejam autênticas as evidências provando seu apoio à guerrilha colombiana, mas o o material encontrado no computador do comandante das FARC morto em um ataque em território equatoriano em março colocou o presidente da Venezuela sob um intenso escrutínio internacional que ele gostaria que fosse reservado ao "diabo" George W. Bush.
Um Chávez mais manso, aliás, talvez esteja de olho na mudança de guarda em Washington com uma posssível vitória do democrata Barack Obama. Com o republicano John McCain não haveria muito papo'. Na terça-feira, inclusive, o jornal "El Tiempo", de Bogotá, informou que McCain visitará o presidente colombiano Alvaro Uribe em julho. Mas Obama acena com a possibilidade de uma conversa direta com Chávez, que precisa fazer alguns ajustes. Afinal, o próprio Obama disse que, se eleito, não irá tolerar o apoio da Venezuela à guerrilha colombiana.
E ajustes dentro de casa são necessários, A Venezuela mudou muito desde dezembro quando eleitores rejeitaram em referendo as ambições de Chávez de avançar com seu projeto socialista e de se manter de forma indefinida no poder. Foi sua primeira derrota eleitoral significativa em uma década. A oposição está mais mobilizada, existem resistências à reforma educacional e protestos de grupos de defesa dos direitos humanos forçaram o governo no sábado passado a desistir de implantar uma legislação de inteligência com jeitinho cubano.
Apesar da alta dos preços do petróleo, existem carestia e inflação. O que também não pára de subir é o crime. Não é um cenário promissor para Chávez, que terá novos desafios eleitorais no final do ano, com pleitos estaduais e locais. Com uma derrota, Chávez não terá margem de manobra para ensaiar um novo lance para abolir o limite para o mandato presidencial (pelas regras atuais, ele deve deixar o poder depois das eleições de 2012).
Para Chávez, que sempre teve uma incrível capacidade de reinvenção e de recuos táticos, é hora de mudar o curso para não se isolar na selva como a anacrônica guerrilha colombiana.
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