09/06 - 08:18 - Caio Blinder, de Nova York
Bobby Jindal não gosta quando falam que ele é o "Obama republicano", mas a razão que ele é tão falado por estes dias é por ter o perfil "exótico" do vencedor das primárias democratas. Enquanto fervem as especulações se Barack Obama irá escolher Hillary Clinton como companheira de chapa (e eu já especulei na semana passada que isto não acontecerá), o nome de Jindal circula do lado repoublicano para ser o vice de John McCain nas eleições presidenciais de novembro.
Mesmo sem o exotismo, Jindal seria um nome forte. Mas a pimenta, ou melhor dizendo, o curry, ajuda. Ele é filho de imigrantes indianos, governador do estado da Louisiana, tem apenas 36 anos (a metade do velho soldado McCain), é bom orador, produto das melhores universidades americanas, disposição para fazer reformas e projeta uma imagem de competência com somente 150 dias no cargo. Jindal caiu no céu para o Partido Republicano, cheio de homens branquelas de meia-idade para cima e ansioso para demonstrar o mínimo de diversidade quando os democratas acabam de sair de um feroz batalha das primárias travada por um negro e uma mulher.
McCain tem visitado a Louisiana com frequência, em um tácita admissão que ali foi um divisor de águas da implosão do governo Bush por sua resposta desastrosa à passagem do furacão Katrina em Nova Orleans, em 2005. Se os republicanos sonham em manter a Casa Branca, eles precisam se distanciar dos vexames da atual administração e fazer diferente. Jindal é um bom garoto-propaganda.
Uma de suas marcas registradas é a determinação para reconstruir as áreas devastadas pelo Katrina. Outra assinatura é o combate à corrupção (a Louisiana é um dos estados mais corruptos dos EUA) e Jindal conseguiu a aprovação de uma histórica legislação ética na Assembléia Estadual, um antro bipartidário de negociatas, tráfico de influências e cinismo sobre o serviço público
Se Obama era inconcebível na política, décadas atrás, o mesmo pode ser dito sobre Jindal. Muito conservador em questões morais e sociais, Jindal se converteu do hinduísmo para o catolicismo. Mas publicamente ele não pega pesado para expressar sua oposição ao aborto e ao casamento gay. Ele prefere visibilidade em temas como corte de impostos para estimular o crescimento, a cruzada contra a corrupção e dinamismo populista de um tecnocrata que resolve problemas.
Talvez McCcain não escolha Jindal para ser seu companheiro de chapa e, quem sabe, por um acidente da história, vença as eleições de novembro, mas o jovem governador republicano é um alívio para um partido à deriva, acometido de fadiga intelectual, desmoralizado pela gestão Bush e desgastado por brigas internas.
Com gente como Barack Obama e Bobby Jindal, um país cuja decadência é apregoada com frequência mostra capacidade de reinvenção e de revitalização.

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