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Chapa Obama-Clinton é sonho imediato e pesadelo permanente

06/06 - 07:56 - Caio Blinder, de Nova York

NOVA YORK- Com atraso, Hillary Clinton formalizará a saída de cena como candidata presidencial neste sábado. Olhe o calendário. Barack Obama venceu a corrida das primárias democratas na terça-feira à noite. Hillary Clinton claro que não irá desaparecer ou retornar placidamente ao Senado. Agora serão semanas de especulações se ela será companheira de chapa de Obama em novembro. Eu especulo que não.

 Existem as vantagens imediatas, como a capacidade da ex-primeira-dama de atrair mulheres, trabalhadores brancos, latinos, gente mais velha e outros setores que estiveram avessos a Obama na corrida das primárias. Foram os setores que lhe deram uma sobrevida na campanha quando ela perdeu a aura de inevitabilidade.

Há alívios imediatos e jogadas de campanha, mas há as dores de cabeça permanentes e a coerência da mensagem. Antes de tudo, Obama precisa provar que é o dono da bola e que controla o processo de escolha do vice. Não pode ser forçado a colocar Hillary Clinton no time. E com ela vem junto o maridão Bill Clinton. Carga pesada. Um motivo de júbilo com a vitória de Obama nas primárias foi impedir a restauração da dinastia Clinton. Imagine ter o casal ao largo durante quatro ou oito anos de governo?

Obviamente qualquer decisão será atroz para Obama. Trazê-la será cálculo imediatista. Esnobar a ex-primeira-dama significará insultar uma parcela de suas hostes. A última decisão é o menor dos males. Grande parte dos eleitores de Hillary Clinton votará, de qualquer forma, em Obama.  

Haverá perdas, mas tê-la na chapa resultará também na deserção de eleitores independentes que abominam os Clintons, sem falar que poucas coisas mobilizam e enfurecem tanto os eleitores republicanos como esta dinastia democrata. Nas primárias, Hillary Clinton agregou 18 milhões de votos. Há eleitores que votaram nela para não votar em Obama ou para melar a disputa entre os democratas. Alguns segmentos simplesmente não votarão em Obama, não importa quem esteja ao seu lado na chapa.

A ex-primeira-dama parece ser psicologicamente incapaz de servir como vice de Obama. Até cair na real (ou ser jogada nela), Hillary Clinton se comportou, mesmo após a confirmação da derrota nas primárias na terça-feira à noite, como se tivesse obtido uma vitória moral na disputa. De resto, Hillary Clinton não faz mais do que a obrigação ao endossar o vitorioso nas primárias. Algo diferente seria simplesmente autodestrutivo. Se ainda tem ambiçõees presidenciais, ela precisa jogar de dentro e não correr por fora.

Basta ver sua rapidez após o atraso para aceitar a derrota. Na quinta-feira à noite, por iniciativa dela, o vencedor e a derrotada se reuniram em Washington e a assessoria da ex-primeira-dama disse que não é hora para as pressões abertas dos partidários para que ela seja a vice na chapa.

O produto essencial que os eleitores querem comprar é o presidente. Parace óbvio, mas não custa lembrar que vice é acessório e não pode ofuscar o essencial. Grande parte do "appeal" de Barack Obama é sua mensagem de mudança. Trazer Hillary Clinton para a chapa é incoerente com esta mensagem.

A chamada chapa dos sonhos ("dream ticket"), no clichê extenuante, pode ser um pesadelo para Obama. Quem sabe, ele até perca a eleição sem ela, mas sera uma glória vencê-la com um vice que não o atormente durante o governo.





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