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Obama faz história; Clinton precisa decidir se vai aderir

04/06 - 00:48 - Caio Blinder, de Nova York

NOVA YORK - É ele. Após exatos cinco meses de uma corrida extenuante na qual apenas ele e Hillary Clinton agüentaram até o fim, Barack Obama venceu as primárias democratas. Esquerdistas, direitistas, antiamericanos, pró-americanos, gente de todas as raças, sexos e cores, é hora de celebrar o triunfo de Barack Obama. Este é um momento épico. Uma sociedade quebrou barreiras. O primeiro negro com chances efetivas de chegar à presidência americana é um avanço. Não se trata de torcer ou não por sua vitória em novembro, mas de abrir passagem para a história.

Barack Obama, filho do casamento de um negro do Quênia e de uma branca do Kansas, nasceu em 4 e agosto de 1961 quando sonhadores como Martin Luther King apanhavam (muitos morreram) nas marchas pelos direitos civis. Em 2 de maio passado, morreu Mildred Loving, a mulher negra banida do estado da Virgínia em 1958 porque se casara com um branco. Na época, 16 dos 50 Estados proibiam casamento entre pessoas de raças diferentes. Estas leis segregacionistas foram abolidas pela Corte Suprema em 1967.

Há um outra avanço épico na história de Barack Obama. Há quatro anos, ele era um obscuro político estadual em Ilinois. Autodefinido como um "magrela de nome engraçado", Obama acaba de derrotar a tenaz dinastia Clinton. Hä seis meses, falava-se da inevitabilidade da vitória da ex-primeira-dama nas primárias democratas.

Em parte, Obama venceu porque chegou na hora certa, com sua mensagem de mudança e por ser a encarnação do que mudou na sociedade americana em questão de décadas, mas ele também mostrou uma impressionante capacidade de mobilização, organização e de arrecadação de fundos pela Internet. Hillary Clinton achou que estaria cantando vitória em fevereiro. Não tinha plano B contra o fulminante plano de Obama de jogar de acordo com as regras das primárias democratas.

A chave do sucesso era acumular delegados. Não adianta a ex-primeira-dama apresentar números questionáveis de que conseguiu mais votos populares nas primárias. Ganha quem tiver mais delegados. Não é à toa que o candidato republicano John McCain reconheceu na terça-feira à noite que Obama será um oponente " formidável" em novembro.

Obama, no entanto, tem obstáculos formidáveis à frente. Ele conquistou a vitória nas primárias depois de perder a aura principesca. Sua mensagem de reconciliação racial foi manchada por sua longa associação (finalmente rompida) com o incendiário e racista pastor negro Jeremiah Wright. A eloquente mensagem de unidade (considerada oca por detratores) foi minada pelas profundas divisões demográficas entre os democratas. Brancos de menor renda e educação inferior, mulheres mais velhas e latinos desconfiam de um candidato que graças às suas deficiências e à máquina de ataques de Hillary Clinton é visto por amplos setores da sociedade americana como elitista e inexperiente.

E numa podemos esquecer o racismo residual na sociedade americana, assim como o machismo, que ficou patente ao longo da campanha de Hillary Clinton, que foi mais longe do que qualquer outra mulher em uma corrida presidencial.

A mesma ex-primeira-dama que contribuiu para abrir as feridas agora será vital na cicatrização para que os democratas possam ir à guerra contra o formidável McCain. E um grande suspense gira em torno da possiblidade de que Hillary Clinton seja a vice na chapa democrata. Ela tem fichas para negociar, como deixou claro no discurso desafiador e narcisista na terça-feira à noite, pouco gracioso, no qual ainda não formalizou sua desistência, apesar da vitória de Obama.

Os obstáculos à frente de Obama, portanto, não podem ser subestimados, mas ele provou nesta campanha das primárias que tampouco deve ser subestimado.





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