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Obama prega mudanças na AL, mas em doses moderadas

28/05 - 07:28 - Caio Blinder, de Nova York

NOVA YORK- No Terceiro Mundo do cosmopolita Barack Obama, a América Latina não é território familiar. De pai africano e com infância vivida na Indonésia, o candidato presidencial democrata começa a tomar conhecimento da realidade mais ao sul. Arrisca uns comerciais de campanha em espanhol para seduzir o desconfiado eleitorado latino e finalmente, na semana passada, fez seu primeiro grande discurso sobre América Latina.

Sem surpresa, Obama foi para a Flórida, Estado que novamente poderá ser o fiel da balança em eleição presidencial. Para os democratas, significa a ingrata tarefa de minar o apoio da comunidade cubana anticastrista aos republicanos. Sendo caridoso com Obama, seu discurso em Miami pode ser definido como oportunista. Ele calibrou a mensagem para provar que não é uma geléia em segurança nacional, como apregoam os republicanos, mas manteve parte de sua consistência liberal.

O resultado não chegou a ser uma marmelada, mas para a tradicional esquerda terceiro-mundista será difícil digerir as propostas latino-americanas de Barack Obama.

Está óbvio que Obama está se deslocando da esquerda para o centro. São contingências eleitorais e também da política americana. Com sua sutileza oportunista, ele pede uma política mais aberta em relação à Cuba e reafirma a disposição de uma diplomacia direta com o presidente Raúl Castro.

Existe, no entanto, o compromisso de manter o embargo econômico à illha comunista. A medida anacrônica tem praticamente a mesma idade do candidato (46 anos). Quando concorreu ao Senado em 2004, Obama questionou sua validade. mas agora, ele está concorrendo à presidência.

Não é à toa que Fidel Castro avaliou esta semana que Obama é o melhorzinho entre os candidatos americanos (para os interesses cubanos), mas criticou sua posição pró-embargo. Para o alívio do candididato, não houve a benção de Fidel. O ex-presidente cubano reconheceu que se ele expressar muita simpatia por Obama estará "fazendo um enorme favor" aos adversários do democrata.

Apesar de uma cuidadosa ambiguidade (eufemismo para oportunismo), não há dúvida que existe uma disposição de Obama para se diferenciar do status quo pregado pelos republicanos de John McCain, o que significa preservar o isolamento da ilha comunista. Em outras questões latino-americanas, Obama não quer abrir demais o flanco para os conservadores, que já estão fazendo uma farra com sua disposição para conversar com dirigentes de países hostias aos EUA, como Irã e Cuba.

Ele se mostra inclinado a manter o apoio à guerra de contra-insurgência do governo colombiano, apoiada pelos EUA, e à contenção do presidente da Venezuela Hugo Chávez. No discurso em Miami, Obama disse que qualquer governo que apóia as FARC deve ser isolado, em um recado a Chávez, e justificou a necessidade de incursões em outros paises (como o Equador) nos combates contra a guerrilha de esquerda.

Barack Obama se diz o candidato da mudança, mas em uma dose calibrada. Se inventar demais, nunca haverá sua mudança para a Casa Branca.





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