20/05 - 07:21 - Caio Blinder, de Nova York
NOVA YORK- Duas pessoas serão cada vez mais importantes na campanha presidencial de Barack Obama contra John McCain: Hillary Clinton e George W. Bush. Com a ex-primeira-dama e ainda rival, o candidato democrata precisa rapidamente cicatrizar as feridas em um delicado trabalho no qual tato não poderá ser confundido com condescendência. Com o presidente, é o contrário. Obama precisa manter as feridas abertas, mostrando que McCain é apenas uma variação da doença republicana.
Existem debates sobre o grau de brutalidade na guerra civil democrata. De qualquer forma, próximo da consagração, Obama precisa ser suave. Por esta razão, ao contrário de informações anteriores, Obama não deverá declarar vitória na corrida democrata após as primárias desta terça-feira nos estados de Kentucky e Oregon, mesmo que ele possa arrogar a maioria dos delegados escolhidos nas prévias.
A idéia é não antagonizar a ex-primeira-dama. Obama não pode marginalizar as hostes de Hillary Clinton. Os resultados das primárias desta terça-feira deverão repetir a história. As pesquisas indicam que Obama vencerá em Oregon, graças a um perfil demográfico favorável de eleitores mais jovens e afluentes, enquanto perderá por boa margem em Kentucky, que replicará o quadro da semana passada na Virgínia Ocidental, da base eleitoral de Hillary Clinton composta de brancos mais velhos, de renda mais baixa e menos escolaridade.
Claro que existe a idéia da marcha inevitável da vitória, especialmente diante da impossibilidade de Hillary Clinton superar Obama em número de delegados escolhidos nas primárias, nos votos populares e na caçada dos superdelegados (embora a tenaz ex-primeira-dama argumente que tenha maioria do voto popular se forem incluídos os resultados não sancionados da Flórida e Michigan).
Não é à toa que Obama estará nesta terça-feira à noite em Iowa, cenário de sua primeira e triunfal vitória nas primárias no remoto mês de janeiro. O recado é que o círculo está se fechando. Depois desta terça-feira, serão as derradeiras três rodadas de primárias (até 3 de junho). Obama não pode tratar sem cerimônia a teimosa HIllary Clinton, mas precisa também pressionar gentilmente pela reunificação do partido antes do ritual da convenção partidária em agosto.
Sobre Bush, Obama espera que ele seja cada vez mais o papagaio do pirata McCain durante a campanha presidencial. Na sua condição de impopular "pato manco", o presidente é um fardo para o candidato republicano. Obama foi esperto quando comprou uma briga com Bush (estendida a McCain) depois que o presidente rompeu o protocolo na semana passada (em discurso no Parlamento em Israel) e politizou a politica externa americana durante uma campanha eleitoral.
Bush associou a disposição de Obama de conversar com inimigos dos EUA aos esforços de apaziguamento de Hitler antes da Segunda Guerra Mundial. A estocada presidencial apaziguou um pouco as divisões democratas e até Hillary Clinton saiu em defesa do rival. E para a alegria de Obama, McCain interveio. O candidato democrata pôde atacar os dois de uma tacada só. Claro que é questionável se a longo prazo, convém a Obama brigar com McCain na arena de segurança nacional (o ponto forte do republicano). Em termos imediatos, porém, serviu para lembrar que o opositor não pode se safar da herança maldita de Bush e que Obama irá reagir quando tratado como uma pombinha ingênua.
Portanto, na campanha, Obama precisará de Clinton ao seu lado e de Bush ao lado de McCain.

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