15/05 - 08:01 - Caio Blinder, de Nova York
NOVA YORK -O presidente George W. Bush foi para Israel celebrar os 60 anos da independência do Estado judeu. O candidato presidencial democrata Barack Obama apareceu, de surpresa, na semana passada, na comemoração promovida pela embaixada israelense em Washington. Existia uma urgência eleitoral nesta visita de Barack Obama, diante do desconforto que ele gera em alguns setores da comunidade judaica americana de que seu compromisso com Israel não seria tão sólido como o da rival democrata Hillary Clinton e do oponente republicano John McCain.
A visita de Bush a e a aparição de Obama ressaltam uma continuidade estratégica. Existe uma aliança duradoura entre Israel e os EUA. Picuinhas entre candidatos eleitorais tentam desfazer a solidez do consenso bipartidário. McCain por exemplo, acusou Obama de ser o candidato do Hamas, porque um funcionário do grupo radical palestino que controla a faixa de Gaza disse que o preferia na Casa Branca.Obama foi rápido semanas atrás para repudiar a iniciativa do ex-presidente democrata Jimmy Carter de se encontrar com o líder do Hamas em Damasco, na Síria.
No caso da guerra do Iraque existem diferenças entre os partidos, mas em outras questões cruciais no Oriente Média se destacam as similaridades. Obama fala em se encontrar, caso eleito, com inimigos americanos para negociar, mas nas últimas semanas seus assessores minimizaram a possiblidade de uma reunião com o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad.
McCain costuma dizer que a única coisa pior do que uma ação mlitar contra Teerã seria aquele país com armas nucleares. mas ele tem sido mais cauteloso e a a postura bipartidária mais saliente é favorecer as pressões econômicas e diplomáticas para que o Irã abandone suas ambições nucleares.
O consenso bipartidário é ainda mais óbvio no conflito israelo-palestino. Os candidatos apóiam a ênfase do atual governo Bush de uma solução de dois Estados, coexistindo pacificamente. Há consenso, mas ironicamente há cada vez menos que os americanos podem fazer para que esta meta seja atingida. Bush fala que os contornos de um acordo de paz poderão ser delineados até o final do seu governo em janeiro. É mais fácil HIllary Cllinton ultrapassar Barack Obama nas etapas restantes da corrida das primárias democratas ou Bush voltar de vez para o rancho no Texas altamente popular.
Assim como o antecessor Bill Clinton, em oito anos de governo, Bush, nos seus dois mandatos, tropeçou na busca de um acordo de paz no Oriente Médio. O presidente tem a necessária firmeza para apoiar as necessidades de segurança de Israel, mas é frouxo para forçar Israel a a abandonar provocações, como a expansão das colônias na Cisjordânia.
Ainda por cima, a invasão do Iraque criou uma nova ordem regional em que o principal beneficiado é o Irã, com crescente influência em um arco que vai de Beirute a Bagdá, passando pela faixa de Gaza.
O veterano diplomata americano Aaron David Miller (que serviu sob republicanos e democratas) diz que Bush conseguii criar uma situação em que os EUA não são "nem queridos, nem temidos e nem respeitados" no Oriente Médio. Bush estará deixando uma herança ingrata para o sucessor, na medida em que os americanos estão presos no Oriente Médio, sem condições de consertar os problemas ou abandonar a região. Além dos 60 anos de Israel, pouco para celebrar.

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