29/04 - 08:54 - Caio Blinder, de Nova York
NOVA YORK- O eleitor é desinformado e costuma basear seu voto em coisas idiotas. Será esta uma posição elitista? Bem, a idéia está no centro dos estudos de Samuel Popkin, um conhecido cientista político americano, Em inglês, é a tese de "low information signaling", ou seja, o candidato sinaliza algumas expressões corporais, mensagens visuais ou slogans para o eleitor. Podem ser informações irrelevantes ou enganosas, mas a missão estará cumprida se o eleitor decidir com base nelas que o candidato é isso ou não é aquilo.
Popkin não vive na torre acadêmica de marfim. Ele sabe do que está falando. Popkin foi assessor de campanha de Bill Clinton, um mestre de "low information signaling". Clinton conseguia se comunicar com a massa mostrando que pertencia a ela. Tudo bem, havia correntes históricas e as burradas do oponente. O momento (1992) estava a favor de Cllinton, mas alguns sinais foram emitidos precisamente.
A credibilidade popular do candidato democrata Clinton foi reforçada porque ele comia guloseimas do McDonald's. Dá para acreditar? O presidente republicano George W. Bush, essencialmente uma pessoa pouco informada, também é um catedrático de "low information signaling". Produto da elite quatrocentona da costa leste americana, ele se reinventou com um genuíno caubói texano, avesso ao intelectualismo, típico dos liberais. Ironicamente, seu pai, o primeiro presidente Bush, não conseguiu a reeleição disputando contra Clinton por ser, entre outras coisas, o tipo do político elitista que não sabe o preço do leite.
Agora em 2008, "low information signaling" está em alta. O mestre da oratória Barack Obama não consegue vender seu peixe para eleitores de baixa renda, que o consideram distante de suas aflições econômicas e hábitos culturais. Claro que há também os problemas com "high information signaling" devido às ligações de Obama com seu antigo (e sempre incendiário) pastor Jeremiah Wright.
Mas vamos voltar à baixa informação. Entre outras coisas, Obama peca por ser um mau jogador de boliche. Muitos questionam o patriotismo de Obama (Hussein, o nome do meio, não ajuda) porque ele se recusa a participar do jogo de "low information signaling" e não exibe o alfinete com a bandeira americana na lapela do paletó (tampouco Hillary Clinton e John McCain recorrem a este simbolismo patriótico).
O patriótico comedor de hambúrguer Bill Clinton, no entanto, conseguiu que eleitores em 1992 engolissem sua evasão do serviço militar. Na campanha de 2004, o herói de guerra John Kerry teve sua lealdade questionada porque falava francês (algo tão antiamericano), enquanto Bush (que se safou do combate no Vietnã) se cobria vergonhosamente com a bandeira.
Ao lançar sua campanha presidencial no ano passado, a petulante audácia de Barack Obama foi tentar provar que o jogo de "low information signaling" não é o único em um processo eleitoral, enquanto Hillary Clinton, parceira do comedor de hambúrguer, aderiu gulosamente aos rituais mais idiotas de uma campanha. Foi jogar boliche (e desta nem Obama se safou), tomou em publico uns tragos de uísque (canadense) e se faz de popular, embora tenha uma educação tão elitista como a do rival nas primárias democratas.
Para se desfazer de sua imagem arrogante e chegar por cima, Obama agora vive o dilema de até que ponto deve manobrar por baixo, no embalo de "low information signaling". Por favor, tudo menos o alfinete com a bandeira americana na lapela do paletó.

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