25/04 - 08:20 - Caio Blinder, de Nova York
NOVA YORK- Na chamada sabedoria convencional (e eu integro o conselho destes sábios), o republicano John McCain vai vencendo a corrida das primárias democratas graças ao espetáculo de luta livre entre Barack Obama e Hilary Clinton. Não existe nocaute, apesar da persistente vantagem de Obama no número de delegados e no voto popular. A dinâmica não foi alterada significativamente com a sólida vitória de Hillary Clinton na última terça-feira no estado da Pensilvânia.
Por esta sabedoria convencional, quanto mais sangrenta for esta luta livre nas primárias, mais machucado estará o candidato democrata para o pugilato de novembro contra John McCain. Pelo prazer do argumento, vamos colocar um band-aid para minorar a dor democrata. O argumento é o seguinte: a longa e extenuante campanha das primárias torna mais calejado o candidato democrata. Dureza e capacidade para absorver os golpes são testes cruciais na arena eleitoral.
Para Barack Obama, esta linha de raciocínio convém no seguinte ponto: a mensagem nada subliminar de Hillary Cllinton é de que Obambi não está preparado para aguentar o tranco em novembro e muito menos para governar o país. O recruta vai aprendendo. Já para a ex-primeira-dama, a idéia de uma "boa luta" convém para afastar justamente os temores de que a pancadaria das primárias está sendo autodestrutiva para os democratas. Os Clintons também têm um lado humano. Vai aparecer depois da vitória partidária.
Já que estamos no embalo, vamos oferecer mais um curativo retórico para os machucados democratas de Hillary Clinton e Barack Obama. Está bem, vamos reconhecer que McCain é altamente competitivo, apesar de George W. Bush, de uma economia recessiva e do Iraque. É uma proeza, mas é possível argumentar que McCain atingiu um momento de pico. Claro que até novembro teremos altos e baixos nas pesquisas, no sentimento nacional e vai saber que surpresa a vida irá aprontar para o jogo eleitoral. Mas não há dúvida que McCain se encontra em um ponto alto. Seus críticos mais conservadores resolveram se comportar, se esbaldando com a esbórnia democrata, e McCain pode posar placidamente de presidenciável enquanto os rivais democratas estão na lama.
Mas esta boa vida um dia termina. Hoje, no calor da luta, existem juras de ódio entre os democratas. Os ânimos poderão serenar assim que a poeira assentar nas primárias. Em geral, quando um candidato de um dos partidos é ungido, ele dá uma decolada nas pesquisas. Mesmo num bom dia para McCain nesta temporada de tormenta democrata, ele teima em ficar na faixa de 45% de apoio nas pesquisas.
Existe, portanto, toda esta realidade ingrata jogando contra os sonhos republicanos de garantir a posse da Casa Branca por mais quatro anos. Os democratas não terão o passeio que imaginavam até novembro, mas o caminho ainda é promissor para eles. Antes, precisam resolver alguns probleminhas domésticos.

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