24/04 - 08:26 - Caio Blinder, de Nova York
NOVA YORK- Números estão sendo esmiuçados sobre a primária presidencial democrata na Pensilvânia, na terça-feira. Existe o mágico 10. Hillary Cllinton venceu Barack Obama por dois dígitos e provou que tem sete vidas. O número 43 é um elixir para o republicano John McCain. É a cifra de eleitores de Hillary Clinton na Pensilvânia que dizem que ficarão em casa ou irão votar em McCain na eleição de novembro se o candidato democrata for Obama. E as pesquisas de boca de urna revelam outro número preocupante para os democratas: 18% dos eleitores brancos na Pensilvânia disseram que raça foi um fator na votação. A questão racial ganha tonalidades cada vez mais importantes na corrida presidencial e eu assumo que talvez tenha subestimado o fator racismo na equação eleitoral.
Hillary Clinton bate na tecla que ela tem mais condições do que Barack Obama de derrotar McCain. Não irá argumentar que o fato de ser branca ajuda, mas este é o subtexto cada vez mais insinuante. O casal Clinton apelou para a cartada racial nas primárias, o que explica que os negros tenham desertado o ex-presidente, que folcloricamente era descrito como o primeiro presidente negro na história americana.
Na Pensilvânia, 90% dos eleitores negros votaram em Obama. Obviamente, o casal Cllinton não inventou o racismo e não é racista. Mas Hillary e Bill agora navegam nestas águas turvas.
McCain tampouco será explícito para tirar proveito do fator racial. Mas estrategistas republicanos são cândidos para estimar que caso Obama seja o candidato democrata em novembro o fator racial terá um valor de 15% para McCain. Nem se trata de explorar raça na campanha, mas uma mera estimativa de que existe uma percentagem do eleitorado americano que simplesmente não irá votar em um negro para presidente.
Alguns preconceitos e ignorâncias estão profundamente incrustrados na sociedade americana. Existe também outra inquietante cifra de 15% para Obama. Nesta era de hiperinformação (e desinformação), uma pesquisa AP-Yahoo agora em abril revela que 15% dos eleitores acreditam que Barack Obama seja muçulmano.
Ironicamente, esta desinformação está sedimentada junto a uma parcela da sociedade quando a mídia passou semanas investindo na controvertida relação de Obama com o pastor negro (e racista) de sua igreja protestante em Chicago.
Não é à toa que, mesmo com a reprovação de McCain, republicanos no estado da Carolina do Norte lançaram na quarta-feira um comercial de campanha mostrando comentários inflamatórios, antipatrióticos e racistas do pastor Jeremiah Wright. Como diz Andrew Kohut, do Pew Research Center, "raça é misturada com a noção mais ampla que Obama não é um de nós".
A vantagem de uma longa e desgastante corrida eleitoral é mostrar com todas as cores os podres de uma sociedade.
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