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Uma delícia de guerra eleitoral para os republicanos de McCain

26/03 - 06:30 - Caio Blinder, de Nova York

O tempo passa e o republicano John McCain continua na liderança na corrida das primárias democratas. Isto mesmo, Quanto mais Barack Obama e Hillary Clinton combatem na guerra de trincheiras, arremessando lama, melhor para o candidato já escolhido pelo partido do presidente George W. Bush para o grande embate das eleições presidenciais de novembro.

 

 

Na guerra civil democrata, cada lado minimiza suas grandes gafes (como a demora de Barack Obama para conter o estrago provocado pelo racismo do seu ex-guia espiritual, o pastor negro Jeremiah Wright) e maximiza as pequenas gafes do outro (como o excesso de imaginação de Hillary Clinton que cascateou sobre os perigos que enfrentou em uma visita à Bósnia quando era primeira-dama).

No geral, não existe como minimizar o estrago para o Partido Democrata. A troca de insultos está devidamente documentada. Será munição para os republicanos mais tarde. James Carville, o folclórico marqueteiro pró-Hillary, chamou de Judas o governador do Novo México, Bill Richardson (ex-ministro de Bill Clinton), porque ele endossou Barack Obama. Em contrapartida, um assessor militar de Obama disparou contra os batalhões de Hillary Clinton dizendo que apelam para macarthismo na campanha.

E, para a imprensa, quanto mais lama, melhor. Muito se fala que a mídia esteve muito deslumbrada com o príncipe Barack Obama. De fato. Mas já se redimiu. Uma outra revelação sobre o comportamento dos jornalistas. De certa forma, eles se converteram em parceiros da campanha de Hillary Clinton para fingir que a corrida está muito mais apertada do que parece.

Em primeiro lugar, claro que existe o medo de errar. Afinal  vários atestados de óbito de Hillary Clinton foram prematuramente assinados. Mas podemos ministrar a extrema-unção para a ex-primeira-dama. É uma questão matemática. Pelo prazer (e necessidade) de jogar, a imprensa exagera no suspense.

Hillary Clinton não tem como superar Barack Obama na caçada dos delegados. É verdade que o seu rival não tem como alcançar a marca mínima de 2025, mas ele terminará a corrida com mais votos populares e mais delegados, dificultando a possibilidade de que os superdelegados (cerca de 20%) reneguem na convenção partidária de agosto a sua pequena vantagem na corrida das primárias.

Um assessor de Hillary Clinton confidenciou na semana passada ao site Politico.com que a candidata não tinha mais do que 10% de chance de conseguir a indicação partidária. Como lembrou o colunista do "New York Times", David Brooks, os dias passaram e esta chance agora caiu para 5%. 

Hillary Clinton, no entanto, é perseverante. Na terça-feira, ela sugeriu que ficará na trincheira das primárias pelo menos por mais três meses. Assim aumentam as chances de John McCain, que nas pesquisas dos últimos dias abriu uma vantagem acima da margem de erro sobre qualquer um dos dois candidatos democratas. Com este tipo de inimigo, é uma delícia de guerra para os republicanos.

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