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China quer apagar tocha olímpica da liberdade

25/03 - 07:37 - Caio Blinder, de Nova York

NOVA YORK- A tocha olímpica está no começo de sua longa marcha de 130 dias. Ela partiu na segunda-feira do berço histórico em Olímpia, na Grécia, e chegará ao Estádio Olímpico de Pequim, em 8 de agosto. Até lá veremos, à plena luz, uma competição cada vez mais acirrada entre a China empenhada em faturar  ouro como potência emergente e amplas parcelas da opinião pública mundial determinadas a manchar o jogo do regime comunista. Governos são mais reticentes para questionar o dragão econômico. Escutaremos também mais clamores pelo boicote da Olimpíada.

 

Na segunda-feira, a cerimônia em Olímpia já foi sabotada por manifestantes pró-Tibete, o que apenas aumenta a fúria chinesa. Quando os protestos por liberdade irromperam na "região autônoma", em 14 de março, a polícia vacilou para reprimir. Um dos motivos era evitar um desastre de relações públicas. mas os protestos ficaram mais violentos, inclusive contra civis não tibetanos, e as paixões recrudesceram. Dane-se a busca de boa imagem. Na sequência, as forças de segurança botaram para quebrar e matar.  Para o regime comunista, as prioridades são garantir a soberania nacional e preservar, a todo custo, o controle político.

A China não é o único país lidando com populações inquietas e com aspirações de independência. Na Europa supostamente supranacional, há uma inflação de movimentos subnacionalistas. Mas não existe ameaça de guerra em Barcelona, o envio de tropas para Antuérpia ou a proibição de jornalistas estrangeiros em Edimburgo. A China enfrenta os desafios do presente e do futuro com uma postura truculenta e anacrônica.

Protestos internacionais apenas irão endurecer a posição chinesa. O orgulho nacional está em jogo. E as autoridades, como acontece nestas horas em qualquer parte do mundo, irão atiçar as emoções populares. Os primeiros sinais são de ressentimento contra estes protestos mundiais a favor dos tibetanos e a confirmação do Dalai Lama como uma autoridade moral. Na China que filtra o fluxo de informação, corre solta na Internet a indignação contra o cerco mundial. E nada mal para o regime ditatorial que os protestos mundiais sejam vistos pela população como antiChina e não contra o caráter autocrático e comunista do governo.

Mas a vida é assim. Da mesma forma que o antiamericanismo é moeda corrente (e bem mais valorizada do que o dólar), os chineses devem se preparar para aguentar mais pancada pelo mundo afora. O país tem cada vez mais importância econômica, assume uma crescente projeção internacional e ainda por cima é uma ditadura. Não tem como escapar impune da fama e da fortuna.

A China pode ser uma potência emergente, mas, embora seja uma velha civilização, ela se comporta de forma imatura. Ë incapaz de aceitar os deveres que acompanham o crescimento e ainda se mostra despreparada para assumir a função de "acionista responsável" do sistema internacional.. Com ingênua arrogância, as autoridades de Pequim acharam que poderiam controlar o jogo olímpico. A tocha não pertence a um bando de burocratas comunistas, dispostos a investir apenas em alguns aspectos da modernização econômica e social, mantendo o atraso político.

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