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Menos violência no Iraque beneficia guerreiro McCain

18/03 - 07:56 - Caio Blinder

Guerra é o negócio de John McCain. Ele foi o herói torturado (pelos comunistas) no Vietnã e agora o Iraque é seu cavalo-de-batalha eleitoral. Nesta semana, o senador republicano que é candidato à presidência apareceu em Bagdá em visita de inspeção e também em campanha eleitoral. Seria burrice política caso ele não armasse a cena no quinto aniversário da invasão americana.

Afinal, McCain aguentou o rojão nos piores momentos (não existem bons momentos no Iraque, apenas momentos menos ruins) da guerra. Sempre foi um aguerrido apoiador da empreitada e cerrou fileiras com o presidente George W. Bush (pelo qual não morre de amores) quando, contra as recomendações da comissão bipartidária, ele decidiu reforçar a tropa americana. O resultado foram alguns sucessos táticos (menos violência), que precisam ser engolidos pelos democratas.

Não existe ainda a almejada reconciliação politica em Bagdá e tudo pode ir novamente pelo bueiro, como mostra o incremento dos atentados suicidas nos últimos tempos. De qualquer forma, a percepção da opinião pública americana é de que as coisas melhoraram no Iraque. Mesmo assim, a guerra continua sendo vista como um erro e, mais sintomaticamente em termos da temporada eleitoral, deixou de ser um assunto tão urgente e passional.

Este cenário de algum sucesso e menos interesse é má notícia para os democratas (Hillary Clinton e Barack Obama), que tinham vantagens políticas com o desastre. Caso não haja uma reversão dramática dos acontecimentos no Iraque, os democratas terão menos margem de manobra para usar a guerra como arma política, em particular na campanha para as eleições gerais de novembro.

Não é à toa que os democratas preferem mudar de assunto e o foco passou a ser a economia combalida. Já McCain precisa tirar proveito e a guinada da opinião pública americana sobre o quadro iraquiano é mais saliente entre eleitores independentes. Esta é uma base importante de apoio ao senador republicano.

Entre os democratas, a curto prazo, a mudança no Iraque pode favorecer um pouco Hillary Clinton, na medida em que Barack Obama é um persistente crítico da guerra e sempre apontou sua oposição à invasão (o que não foi o caso da ex-primeira-dama) como prova de sabedoria política, apesar de sua inexperiência.

Obviamente o Iraque é um pesadelo, mesmo quando a violência dá uma amainada.  McCain precisa dosar seu entusiasmo bélico. Ele, inclusive, disse que foi figura de linguagem prometer que as tropas americanas ficarão cem anos no país. Em contrapartida, estas tropas não baterão em retirada tão cedo. Pelo menos cem mil soldados estarão baseados no Iraque quando o próximo presidente assumir em janeiro de 2009. Mesmo Hillary Clinton e Barack Obama alertam que não haverá uma debandada de tropas. Primeiro, é claro, um deles precisa derrotar o  velho guerreiro McCain.


 





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