12/03 - 07:41 - Caio Blinder, de Nova York
NOVA YORK- Para quem gosta e a maioria que desgosta, George W. Bush faz questão de ressaltar que ainda é presidente dos EUA, em meio às atenções devotadas á corrida sucessória. De fato, Bush manda e pode ter muito impacto nos meses restantes de mandato. Esta aí a abrupta renúncia (na terça-feira) do comandante militar americano no Oriente Médio.
A saída de cena do almirante William Fallon facilita os planos do governo Bush de manter um alto nível de tropas no Iraque e oxigenar o tom beligerante em relação ao Irã. A saída do almirante Fallon aconteceu depois que um artigo na revista "Esquire" realçou os desacordos entre a Casa Branca e o almirante sobre a estratégia nos dois países.
De acordo com "Esquire", o presidente estava "exasperado" com a cândida oposição do almirante. Na sua nota, Bush não lamentou a saída, embora tenha feito o blá-blá-blá sobre os bons serviços que ele prestou à nação. Entre outras coisas, o presidente estava incomodado com a relutância de Fallow com a idéia de ataques contra as instalações nucleares iranaianas. Em várias entrevistas e declarações nos últimos tempos, o militar minimizava a possibilidade de um ataque militar e insinuava que a retórica belicista de Bush e de seu vice Dick Cheney era perigosa e improdutiva.
Fallow obviamente nega as divergências, mas sintomaticamente na sua nota ele disse que nâo havia discordâncias sobre a política militar. Mas qual é esta politica? Fallow também favorecia uma diminuição expressiva do contingente americano no Iraque, dizendo que manter de forma indefinida 140 mil soldados era intolerável em termos logísticos. Aqui ele estava em conflito com seu próprio subordinado, o general David Petraeus, o comandante americano no Iraque e que se tornou o favorito da Casa Branca (e do candidato republicano à presidência John McCain) pelos sucessos táticos na guerra.
Agora Petraeus é uma forte possibilidade para assumir o posto à frente do Comando Central (CenterCom), que, além do Oriente Médio, engloba o Afeganistão. Fallow justamente alertava que uma guerra no Irã seria um erro estratégico quando os EUA estão envolvidos em dois longos conflitos (Iraque e Afeganistão). Acredita-se que o próprio secretário de Defesa, Robert Gates, seja contra este ataque ao Irã. A saída de cena de Fallow não sugere que este ataque seja iminente ou que venha a acontecer, mas mostra que o governo Bush quer margem de manobra.
Bush é o comandante-em-chefe das Forças Armadas e, seja nos EUA, seja em alguma república de banana, é essencial manter a cadeia de comando. A renúncia faz do almirante Fallow uma das mais altas patentes militares a pendurar a farda em meio a tensões entre os miltares e a Casa Branca desde que o presidente Harry Truman demitiu o lendário general Douglas MacArthur no auge da Guerra da Coréia em 1951.
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