04/03 - 08:11 - Caio Blinder, de Nova York
NOVA YORK- Já estivemos lá. Na corrida das primárias democratas, como se diz por aqui, é déjà vu outra vez. Temos de novo uma terça-feira decisiva na disputa entre Barack Obama e Hillary Clinton. Mais uma vez é a dificuldade para definir uma vitória definitiva.
São quatro primárias em jogo: Barack Obama vem de 11 vitórias consecutivas e no grande estado do Texas, ele reverteu a grande vantagem de Hillary Clinton. Por lá, Obama e Clinton brigam nas pesquisas na margem de erro, enquanto o senador por Illinois mantém uma liderança folgada no pequeno Vermont. A ex-primeira dama tem uma pequena vantagem no grande Ohio e não tão grande como antes no pequeno Rhode Island.
A balança em Texas e Ohio é pesada e pode pender tanto para um como para o outro. Existe a narrativa dramática de que não basta para Hillary Clinton duas vitórias apertadas nos dois estados. Para reverter a vantagem de Barack Obama entre os delegados, ela precisa de 60% dos votos nesta terça feira. O drama matemático é que mesmo com Obama conseguindo superar o patamar de 60%, ele não terá delegados para alcançar a marca mínima de 2.205 para a indicação partidária.
Em meio ao impasse, há pressões de caciques partidários, alguns já assumidamente pró-Obama, para que, caso Hillary Clinton não obtenha vitórias convincentes em Texas e Ohio, ela entregue a toalha. Quanto mais os dois democratas patinarem, melhor para o republicano John McCain, que será coroado candidato partidário para as eleições gerais de novembro.
Hillary Clinton pode teimar e tentar navegar em um mar de ambiguidade. Por exemplo: em caso de sólida vitória em Ohio e suada derrota em Texas sua campanha poderá argumentar que, como se diz por aqui, a corrida só termina quando termina. Não se trata de jogo de palavras, mas de uma narrativa complicada e de uma sensação de que tudo ainda está suspenso no ar.
Sem duas vitórias convincentes de Barack Obama no Texas e Ohio será possível argumentar que o candidato perdeu a terceira chance nas primárias de dar um basta. Será esta sensação que os eleitores se apaixonaram pelo príncipe Obama, mas vacilam para selar o casamento. Do outro lado, na hora do maior sufoco, Hillary Clinton se safou duas vezes do divórcio com os eleitores. Aconteceu primeiro em New Hampshire, quando ela ensaiou as lágrimas. Depois, na megaterçafeira, falava-se do triunfo de Obama caso ele vencesse na Califórnia, New Jersey e Massachusetts. Não deu, embora naquela etapa ele tenha enterrado de vez a narrativa sobre a inevitabilidade de vitória de Hillary Clinton.
E lá vamos nós outra vez. Obama vem de 11 vitórias e talvez ele não finalize nesta terça-feira. Clive Crook, do jornal "Financial Times" tem a seguinte observação: "A verdadeira surpresa não é que Hillary Clinton esteja a ponto de perder, mas que ela ainda retenha, por mais um dia, pelo menos, uma pequena chance de vencer".
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