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Condi como vice de McCain pode ser pesadelo democrata

15/02 - 09:42 - Caio Blinder, de Nova York

NOVA YORK - A chapa dos sonhos dos democratas nas eleições presidenciais de novembro não emplaca. Obama-Hillary ou Hillary-Obama não dá casamento.  E quais são os sonhos do outro lado? Para o pesadelo dos democratas, os republicanos poderão ter um gesto de audácia (uma palavra tão cara a Barack Obama) e, ao invés da caretice de um homem branco de meia-idade, arriscar uma dobradinha de John McCain com Condoleezza Rice. Palpiteiros eleitorais lançaram o balão de ensaio e não parece ser fantasia.

 

 

O McCain velho de guerra por si é um candidato fortíssimo. As pesquisas prematuras mostram que, apesar do entusiasmo dos democratas, ainda na fase de guerra civil, nem tudo está perdido para os republicanos em novembro. Ter Condoleezza Rice como companheira de chapa valoriza McCain ainda mais e é uma pechincha.  A secretária de Estado é dois em um: ao mesmo tempo, Hillary Clinton e Barack Obama, mulher e negra.

É verdade que Condoleezza Rice (Condi para os íntimos e não íntimos) trabalha para um governo desmoralizado, mas ela ainda é altamente popular na base republicana. Pode animá-la na campanha contra os democratas. E entusiasmo sobre McCain é o que falta para esta base. McCain não recebeu a benção de amplos setores da direita religiosa, mas seus pecados seriam minimizados se estiver na companhia de Condi, mulher que frequenta igreja. Para McCain resolveria outro problema. O falcão jamais escolheria para a chapa um político vacilante sobre a guerra do Iraque

Condi é ouro político. Está acostumada a levar rojão em depoimentos no Congresso e em entrevistas à imprensa. Não se intimidará na estrada fazendo campanha ou nos debates com o vice da outra banda.

A escolha de um vice na política americana costuma ser relacionada à necessidade de reforçar a campanha em um determinado estado ou região. Serve também para aparar arestas dentro do partido, preparar um herdeiro do trono ou afastar aventureiros. No caso do imaturo George W. Bush, a escolha de Dick Cheney sinalizou que haveria um juizado de menores na Casa Branca. Deu em tremenda irresponsabilidade.

No caso de Condi, é outra função. Os republicanos teriam uma superestrela, algo mais do que necessário pois o outro lado, quem quer seja, terá sua superestrela. Condi tem fama, glamour e magnestimo. Ela brilha, mas também serve de cobertura. A presença  dela na chapa permitiria aos republicanos bater pesado. Se do outro lado estiver Obama, não haveria perigo da pecha de racismo e, no caso de Hillary Clinton, de machismo. Condi sinaliza que diversidade não é monopólio dos democratas.

Com ela na jogada, a grande guerra presidencial de novembro pode mais animada, mas também mais  negativa. So falta combinar com McCain para que coloque Condi no campo de batalha.

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