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O velho soldado McCain e o recruta da esperança Obama

14/02 - 09:18 - Caio Blinder, de Nova York

NOVA YORK- Uma guerra eleitoral tem não apenas muitas frentes de batalhas, mas dimensões variadas. Nas primárias presidenciais americanas, os candidatos brigam entre si, enquanto se preparam para o duelo contra o adversário do outro partido. E existe a terceira dimensão. No lendário programa de televisão "60 Minutos", Hillary Clinton foi perguntada sobre seus planos caso perca as primárias democratas para Barack Obama. Deu a resposta previsível que irá continuar prestando serviços ao povo do estado de Nova York no Senado em Washington. Não esqueceu de dizer que "adora" o emprego.

 

 

No aqui e agora, Hillary Clinton e Barack Obama estão entretidos na adoração dos eleitores das primárias. Obama está por alto graças à sucessão de vitórias em fevereiro e se tornou mais constante sua argumentação de que é o melhor candidato para encarar o velho guerreiro republicano John McCain nas eleições gerais de novembro. E, de fato, a pilha de pesquisas postadas no excelente site RealClearPolitics.com dão uma certa razão a Obama. Na maioria das pesquisas, McCain está à frente de Hillary Clinton. O reverso vale para o embate Obama-McCain, sendo que em algumas das pesquisas a vantagem do democrata está acima da margem de erro.

Pesquisas são voláteis e estamos longe de novembro. Experiência é argumento qualitativo de Hillary Clinton para se posicionar como a figura mais preparada dos democratas para enfrentar o McCain velho de guerra. O contraargumento são os anos tumultuados em que ela era primeira-dama e, de acordo com as acusações, tinha pretensões de ser copresidente. Chega a campanha para as eleições de novembro e os republicanos terão munição à vontade para disparar contra o casal Clinton. E há o mau presságio agora das primárias. A ladainha da experiência da ex-primeira-dama contra a imaturidade de Obama ecoa cada vez menos.

Barack Obama, com sua mensagem de reconciliação, toma cuidado para não pegar muito pesado contra Hillary Clinton, mas tem sido mais insistente nas últimas semanas para lembrar o contraste de suas posições sobre o Iraque e as da ex-primeira-dama. Hillary Clinton inicialmente apoiou a aventura do governo Bush. Obama foi consistentemente contra. Tal postura também realça suas diferenças em relação a John McCain, que prenuncia 100 anos de tropas americanas no Iraque.

E para enfatizar que não é apenas eloquência e carente de propostas específicas, Obama detalhou na quarta-feira um plano econômico de toques populistas, com um pacote de cortes de impostos e de gastos públicos que desloca o peso do governo federal de corporações e americanos mais ricos  para o resgate da classe média e da população de renda mais baixa.

Do lado republicano, Mike Huckabee teima em permanecer na corrida das primárias, apesar de não ter nem chances matemáticas contra McCain. Lembra o vigor de sua base evangélica de apoio e também menciona a fantástica capacidade de Barack Obama para mobilizar jovens eleitores e novos eleitores. O velho McCain, porém, acredita que Obama terá um flanco aberto em novembro. O virtual candidato republicano pode ser uma ovelha negra para muitos conservadores, mas ele adverte independentes e indecisos que Barack Obama é um novilho inexperiente, com uma postura derrotista no Iraque.

O prematuramente velho e abatido (sic!) touro George W. Bush se mete na refrega. Já se prepara para a campanha de novembro, desferindo seus ataques contra o bom moço Obama. Em uma entrevista à rede "Fox", Bush disse que o democrata irá "abraçar" o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad. Obama, na verdade, disse que está disposto a um encontro direto com o homem do "eixo do mal" para negociar. Já McCain precisa fazer seus cálculos se lhe convém um abraço muito apertado de Bush na campanha presidencial.

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