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Eu endosso Barack Obama, e daí?

05/02 - 01:53 - Caio Blinder, de Nova York

NOVA YORK- Terça-feira gorda, terça-feira de desfile de candidatos presidenciais nas primárias americanas. Este comedido analista vai se dar ao luxo de cair na folia e ser pessoal na sua coluna. Como estamos em um festival de endossos, eu endosso Barack Obama nas primárias democratas.

 

 

Endosso com entusiasmo, mas com um certo receio de ser tragado pela Obamania. Gosto do Barack desde que ele fez seu já antológico discurso na convenção presidencial democrata em 2004,  apresentando-se como o "o magrela de nome engraçado". Obama deixou de ser folclórico. Ele está no páreo para presidir o país ainda mais poderoso do mundo. As críticas contra Obama, mesmo quando venenosas, têm procedência. Ela carece de experiência, soa ingênuo e tem mais eloquência do que substância. Mas esta é uma chance em uma geração para um gesto de arrojo, mesmo que seja um pouco juvenil.

Não quero minimizar Hillary Clinton. É uma pouca vergonha que uma mulher ainda não tenha sido presidente em um país-chave da revolução feminista. Mas será que deve ser Hillary? O cenário dinástico incomoda. Desta vez, eu estou vivendo nos EUA desde 1989. Em quase 19 anos, só vi Bush ou Clinton na presidência. Basta ver a ambivalência de mulheres como Hillary (bem educadas e bem de vida) sobre a "sister".

 
Admito que Barack Obama exerce um "appeal" pessoal com sua história pessoal: filho de pai negro (e muçulmano) do Quênia e mãe branca (e protestante) do Kansas, nascido no Havaí e com vivência na Indonésia. A conversa da busca da identidade de Barack Obama mexe com a família Blinder. Somos "parecidos". Nós, na família Blinder, temos este judeu paulistano casado com uma filipina católica e duas filhas criadas nos EUA, mas uma delas vivendo no Brasil. Somos a cara do "melting pot", ou seja, derretidos em um caldeirão étnico, racial e religioso. O "appeal" de Barack Obama vai mais longe com sua mensagem de reconciliação política e social. Well, confesso que a familia Blinder está rachada ao meio, dividida entre Hillary e Barack
 
A reconciliação talvez seja apenas um sonho, mas Martin Luther King também tinha um sonho e deu na realidade de Barack Obama com chances de chegar à presidência. Obama está na moda e isto é preocupante. Tornou-se uma coisa "cool" apoiar o candidato. Os endossos variam do tablóide direitista "New York Post" à organização de esquerda MoveOn.org.
 
Em todo caso, fica registrado meu endosso. Não conta muito nem dentro de casa, em uma rua sem saída do subúrbio novaiorquino de Glen Rock. Na dinastia Bllinder, a única cidadã americana é minha filha Ana, que já é pró-Obama, mas, com vividos 14 anos, sem direito a voto. 
 
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