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Base conservadora desconfia de McCain, mas odeia Hillary

01/02 - 09:09 - Caio Blinder, de Nova York

NOVA YORK- Aviso aos navegantes, internautas e liberais de carteirinha: apesar de George W. Bush e da onda de esperança levantada pelos democratas, o conservadorismo não morreu nos EUA e o republicano John McCain pode, nas eleições presidenciais de novembro, perfeitamente derrotar Hillary Clinton ou Barack Obama -que na quinta-feira à noite travaram seu primeiro mano a mano e civilizado debate na televisão.

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    O drama é definir conservador de uma forma direita na atual guerra eleitoral. Entre as heresias de McCain estão espírito bipartidário, um pendor iconoclasta e a capacidade de atrair votos moderados e independentes.

    Alguns conservadores na hora da eleição em novembro poderão ficar em casa ou buscar uma terceira via. Os democratas torcem por estas atitudes. Eles já pagaram caro por gestos semelhantes no ano 2000, quando a candidatura de Ralph Nader contribuiu, assim como a Suprema Corte, para a vitória do republicano Bush sobre o democrata Al Gore.

    Mas, apesar das espinhosas críticas conservadoras, John McCain não deve ser confundido com uma flor liberal e ele promete uma política externa da pesada, insistindo que irá manter as tropas no Iraque pelo tempo que julgar necessário, talvez uns cem anos.

    Existe, porém, o outro lado. Para o desgosto de alas empresariais do movimento conservador, McCain é um paladino de algumas causas do meio-ambiente e foi arquiteto de leis restringindo o financiamento de campanhas eleitorais. O esforço de McCain, a despeito do seu capital de integridade, tem sido para adotar posições mais palatáveis para a base republicana que está frustrada com seu avanço quase que irreversível nas primárias.

    Ele sempre foi contra aborto e casamento gay, mas tem exagerado no flerte da direita religiosa; agora se diz a favor de tornar permanentes os cortes de impostos do governo Bush que favorecem as camadas mais ricas enquanto o país está em guerra e sempre que pode, desta vez, garante que barrar imigrantes ilegais na fronteira deve acontecer antes de se encontrar uma forma de legalizar a situação dos 12 milhões que já estão no país.

    No entanto, a base ortodoxa teme que se chegar ao poder, McCain se comporte como alguns antecessores republicanos e não indique juízes ultraconservadores para a Corte Suprema ou não tenha sua propalada coragem para vetar impostos aprovados por um Congresso de maioria democrata. McCain jamais irá convencer alguns setores conservadores que ele é o genuíno herdeiro de Ronald Reagan, mas uma parte da base republicana deverá se render à realidade. Não irá votar em McCain nas próximas rodadas de primárias, mas tapará o nariz e lhe dará apoio na eleição em novembro.

    McCain, de fato, é o único candidato republicano hoje em condições de derrotar os adversários liberais. Nas primárias democratas, o velho guerreiro tem mais a ganhar com a vitória dela. Conservadores detestam McCain, mas detestam Hillary Cllinton muito mais.

    Leia mais sobre: eleições nos EUA - John McCain





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