29/01 - 10:14 - Caio Blinder, de Nova York
Vamos nos desligar um pouco do psicodrama Clinton-Obama. Esta terça-feira é dia de um importante capítulo da novela republicana na corrida das primárias americanas. John McCain dará um passo decisivo para a coroação partidária caso derrote Mitt Romney nas primárias da Flórida.
Será uma boa notícia, pois Romney é um sicofanta e o desfecho significará o enterro de Rudy Giuliani e a confirmação de que ele nunca foi mais do que um polÍtico municipal.
Uma vitória de McCain, porém, será uma má notícia para os democratas. Como no caso de Billary (Bill e Hillary) Clinton x Barack Obama, os democratas querem que os competidores republicanos chafurdem na lama por um bom tempo. Feridas mais profundas serão mais difíceis de serem cicatrizadas até o grande duelo presidencial em novembro.
McCain será o adversário mais temido pelos democratas. Figuras execráveis do conservadorismo americano, como o apresentador de rádio Rush Limbaugh, advertem que se McCain for o candidato ele irá destruir o Partido Republicano. Pelo contrário, McCain seria a salvação em novembro. Sua lenda apenas cresceu nas últimas semanas quando ele renasceu das cinzas com espírito combativo, franqueza e capacidade de cativar eleitores independentes.
Vale lembrar que um obstáculo para a vitória de McCain na Flórida é que naquele estado a primária é fechada para eleitores republicanos registrados. Outro obstáculo é que ele não comanda os desafios econômicos com a mesma destreza que o marca em segurança nacional, o que pode ajudar o ex-governador e ex-executivo Mitt Romney.
Como no caso de figuras do establishment democrata convergindo para Barack Obama, o mesmo acontece entre os republicanos em relação a McCain. Não se trata de adoração, mas do cálculo de que ele é o melhor candidato para enfrentar os democratas em novembro. E pesquisas prematuras, de fato, mostram que existe empate técnico na disputa entre McCcain e Hillary Clinton ou Barack Obama.
A base republicana não confia em McCain e é justamente sua imagem iconoclasta (o que não significa que ele não seja conservador) que preocupa os democratas. A guerra impopular no Iraque, uma economia que afunda e uma sensação de exaustão após sete anos de governo Bush são insuficientes para garantirem as chaves da Casa Branca para os democratas, especialmente se McCain estiver no portão.
Aos 71 anos, McCain tem idade para ser pai de Obama (46), mas em um duelo ele poderá enfatizar sua experiência em política externa e segurança nacional. Obama tem uma maravilhosa história pessoal, mas a vida de McCain é um amargo romance, igualmente cativante. Seria ridículo Hillary Clinton apregoar experiência contra o velho guerreiro McCain. Quando ela era estudante em Yale em 1973, ele estava terminando cinco anos de cativeiro e torturas no Vietnã comunista.
Em termos eleitorais, McCain também atravessou um caminho penoso. A disputa na Flórida contra Romney se mostra suada e representa um teste crucial nesta trajetória. Os democratas irão sofrer com uma vitória de McCain.

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